Meu filho não come. E agora?

 

Queixas sobre a rotina, apetite e preferências alimentares das crianças são freqüentes nos consultórios de nutricionistas e pediatras. Algumas crianças se recusam terminantemente a experimentar certos alimentos e outras não querem nem sentar à mesa.

Dificuldades alimentares na infância são extremamente comuns e são diversos os perfis que caracterizam esses comportamentos como: fobia alimentar, criança agitada de baixo apetite, seletividade alimentar, choro que interfere na alimentação, entre outros. A seletividade alimentar, por exemplo, refere-se à situação em que a criança recusa ou só aceita alimentos devido a características como cheiro, sabor, cor, textura, aparência ou consistência. É um comportamento típico da criança que começa a andar, pois à medida que ela vai se desenvolvendo e começa a se socializar, a explorar seu espaço e aumentar sua autonomia, a alimentação que era sua única fonte de prazer e atenção, fica em segundo plano. Essa seletividade pode perdurar até a fase pré-escolar, sendo considerada uma fase normal do desenvolvimento desde que feita uma análise dos pais sobre o comportamento dessa criança. Afinal, seu filho não come nada mesmo ou as refeições são substituídas por outros alimentos mais atrativos?

A recusa em experimentar novos alimentos se torna um problema quando os pais na tentativa de mudar ou melhorar o comportamento alimentar de seu filho, oferecem recompensas como, por exemplo, “se você comer tudo vai ganhar sobremesa” ou quando a ansiedade da mãe para que a criança se alimente, faz com que a mesma ofereça alimentos de baixo valor nutritivo que irão substituir as refeições principais apenas para que a criança não fique sem comer nada.

Mas então o que fazer?

Em primeiro lugar, é importante não forçar a criança a comer. Se ela recusar, não ofereça outro alimento em troca. Espere a criança ter fome, e ofereça a mesma refeição.
Além disso, o ambiente durante a refeição deve ser agradável, sem barulhos, TV, tabletes e celulares ligados para não distrair a criança.

Os pais devem oferecer o alimento recusado em diversas ocasiões, mesmo que a criança não aceite. Estudos afirmam que a criança precisa provar o alimento, se acostumar e se condicionar a gostar, e essa aceitação pode ocorrer somente após experimentar de 12 até 15 vezes o mesmo alimento.

A criança não deve ser ameaçada durante as refeições, pois quando chorosa triste ou medrosa não consegue comer e essas atitudes vão reforçar a recusa, desgastando a relação entre pais e filhos.
Tentar envolver as crianças no processo de preparo da comida, de acordo com a idade é fundamental. Os filhos podem ajudar a escolher os produtos no supermercado, auxiliar no preparo de certas receitas ou até ajudar a colocar a mesa.

Por último e tão importante quanto os outros pontos é, o fato de que o hábito alimentar da criança muito provavelmente vai ser o mesmo dos pais. Não adianta forçar seu filho a comer verduras e frutas sendo que, você não consome. Se você colocar refrigerante na mesa, seu filho certamente vai recusar o suco de frutas. O ensinamento vem do exemplo.

Ana Beatriz Nicoletti é Nutricionista e escreve no Acontece Botucatu