Jejum intermitente

O jejum intermitente é conhecido atualmente como uma prática aliada ao emagrecimento. Teve início a partir de alguns estudos que observaram que, pessoas religiosas que possuíam o hábito de jejuar desenvolviam uma melhora na saúde e no metabolismo com regularização da pressão arterial e do colesterol, com a diminuição dos sintomas de depressão e posteriormente, foram observadas também diminuição da gordura corporal, que auxiliava conseqüentemente a perda de peso destes indivíduos.

Definitivamente este é um tema bastante polêmico, pois muitas pessoas se dizem beneficiadas por praticar o jejum intermitente de diferentes maneiras, enquanto outras, não conseguem ir adiante com essa prática e muitas vezes acabam tendo crises de compulsão alimentar seguidas ou no meio do jejum por tentarem ficar muito tempo sem comer.

Existem alguns protocolos de jejum intermitente que variam de acordo com o objetivo da pessoa e estipulam mais ou menos à hora do jejum, como o de 12h, o de 16, de 24h, 36h entre outros. No jejum de 16 horas, por exemplo, o indivíduo jantaria às 20h e na manhã seguinte pularia o café da manhã e almoçaria somente às 12h. Então, a partir das 12h, essa pessoa poderia fazer normalmente todas as suas refeições até as 20h, horário em que começaria a jejuar novamente. Estes períodos em que a alimentação é permitida são chamados de janelas de alimentação. Fora deles, a pessoa deve ingerir líquidos que não possuam calorias, como água (com ou sem gás), chás e café sem açúcar para evitar a desidratação.

O jejum intermitente quando realizado sob supervisão de um profissional da saúde pode sim trazer benefícios na redução de medidas, pois, como o individuo passa um tempo considerável sem se alimentar, leva o organismo a queimar certa quantidade de gordura para produzir energia. Contudo, os alimentos ingeridos durante a “janela de alimentação” devem ser selecionados de acordo com a qualidade e preferencialmente devem ser fonte de proteínas como ovos, carnes magras e frango.

A realização dessa técnica pode desencadear por outro lado, problemas relacionados à fraqueza muscular, desnutrição, hipoglicemia, desidratação, entre outros causados por falta de alimentos. Além disso, o jejum não deve ser feito por gestantes, lactentes, crianças, adolescentes, diabéticos que fazem uso de hipoglicemiantes e indivíduos com históricos de bulimia e anorexia.

Certamente, existem outras práticas de emagrecimento consideradas mais saudáveis do que passar horas e horas sem se alimentar, até porque, para muitas pessoas essa técnica pode ser considerada uma tortura. O ideal é procurar sempre a melhor maneira de perder ou manter o peso de acordo com sua rotina, sem ter que abdicar de sua vida social ou de alimentos que fazem parte do seu cotidiano.

Ana Beatriz Nicoletti é Nutricionista e escreve semanalmente no Acontece Botucatu