Fome Emocional: Você come alimentos ou emoções?

Comer é maravilhoso, mas há muito tempo o ato de se alimentar deixou de ser uma necessidade somente fisiológica.

É muito comum ouvir as pessoas dizerem “Como muito porque sou ansioso” ou “Trabalhei muito hoje, eu mereço comer tal coisa” e até mesmo “Vou afundar minhas mágoas nesta barra de chocolate”.

A conexão entre comida, emoções e comportamentos é muito forte e complexa. Quando os pais oferecem comida como expressão de amor ou premiação quando somos crianças, muitas vezes eles despertam um gatilho que chamamos de fome emocional, que, com o tempo dificulta a distinção entre a sensação de fome e outros sentimentos. Desta maneira, com o passar dos anos as pessoas vão perdendo a capacidade natural de comer quando estão com fome e de parar quando satisfeitas e acabam ignorando os sinais de saciedade que o corpo transmite.

Nos dias de hoje, comer é reconfortante, é como se fosse aquele abraço que falta do marido que está no celular, é a substituição daquela conversa que não se teve com o filho, é como dar aquela resposta que você gostaria para o chefe no fim do dia, por isso devemos tomar cuidado com essa mistura de sentimentos.

Para identificar a fome emocional é necessário fazer uma auto-avaliação do por que você esta comendo. Caso esteja ingerindo alimentos com voracidade ou se nada do que está comendo te satisfaz (já comeu tudo que tinha na geladeira e nada matou sua “fome”), muito provavelmente você não esta comendo por necessidades fisiológicas e sim por questões emocionais.

A solução nestes casos não é sair comendo até as paredes, pois quanto mais comemos por motivos emocionais e menos por fisiológicos a chance de piorar a qualidade da nossa alimentação e relacionamento com a comida aumenta significativamente. Procure resolver o que está te incomodando, te deixando ansioso ou até depressivo. Procure fazer atividades que gosta, tirando o foco dos alimentos. Não se culpe, não julgue-se e não deixe que os problemas do cotidiano destrua essa relação tão essencial que temos com a comida.

Comer emocionalmente de vez em quando não faz mal a ninguém, mas se isso se tornar uma rotina para compensar emoções negativas, outros problemas vão aparecer e é ai que mora o perigo. Havendo necessidade, procure a ajuda de um profissional.

Ana Beatriz Nicoletti é Nutricionista e escreve semanalmente no Acontece Botucatu