Votação de requerimento esquenta os ânimos na Câmara

Um requerimento sobre o antigo Hospital Regional Sorocabana (foto), apresentado pela vereadora Rose Ielo (PT) na semana passada cuja votação só foi concluída na sessão legislativa desta segunda-feira acirrou os ânimos na Câmara Municipal e discussões acaloradas aconteceram. De um lado os três vereadores do PSDB, André Rogério Barbosa (Curumim), Fernando Aparecido Carmoni e Izaias Colino. Do outro, a autora da propositura.

No documento da discórdia, previsto para ser encaminhado ao promotor de Justiça, Paulo Sérgio Abujamra, Rose Ielo solicita informações sobre a possibilidade de, no âmbito de competência da promotoria, apurar a responsabilidade, bem como promover as penalidades cabíveis quanto a possível improbidade administrativa do gestor municipal sobre o repasse de R$ 720.000,00 no ano de 2011 ao Hospital Sorocabana, cuja prestação de contas teria sido julgada irregular pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE).

Na defesa do prefeito os parlamentares da situação alegaram que a vereadora estaria fazendo “politicagem”  e tudo o que foi aplicado teria sido aprovado pelo Tribunal e a Prefeitura é que teria sido vítima. Com isso o requerimento da vereadora  foi rejeitado, mas o impasse não havia acabado, já que os quatro parlamentares que debateram durante a votação pediram para usarem a tribuna para explicações pessoais.  Na fala de Rose Ielo, o presidente Curumim, cortou sua palavra, alegando que ela estava ferindo o Regimento Interno na explicação pessoal, desviando o assunto.

Inconformada e muito emocionada, a vereadora alegou que seu trabalho como legisladora estava sendo cerceado.  “Não é a primeira vez que minha palavra é cassada pelo presidente que me faz acusações pessoais, com palavras ofensivas, assim como os outros vereadores da situação. Eles não me respeitam e mostram preconceito porque sou mulher. Estou fazendo o meu papel como fiscalizadora do Poder Público e apenas pedi explicações sobre um fato. Isso não é “politicagem”. Como o requerimento não foi aprovado em plenário vou encaminhar a questão ao Ministério Público, por ofício”, disse a vereadora.

Antes de encerrar  a tumultuada sessão o presidente Curumim frisou que o requerimento não foi aprovado por decisão do plenário que é legítima e soberana. “A maioria entendeu que o parecer do Tribunal de Contas aprovou a contas do Executivo e até a vereadora votou favorável a ele. Se cortei a palavra (da vereadora) foi para cumprir o Regimento Interno, porque entendi que ela fugiu do assunto em suas explicações pessoais. Respeito e não tenho nada pessoal contra a vereadora, mas como presidente tenho que zelar pelo cumprimento do nosso Regimento e vou fazer isso até término do meu mandato”, colocou  Curumim. “Aqui os 11 vereadores são tratados de maneira igual”,  complementou.     

O vereador Reinaldo Mendonça Moreira – Reinaldinho (PR), que já foi duas vezes presidente da Câmara Municipal e adota uma linha mais independente,  destacou que esse tipo de discussão em nada contribui para o bom funcionamento do Legislativo. "Não se pode colocar as diferenças políticas acima dos interesses da cidade. Acho que houve excessos e os dois lados erraram, pois a discussão não precisava chegar ao ponto que chegou. Isso só denigre a imagem da Câmara.  Eu voto de acordo com minhas convicções. Se a proposta for boa para cidade tem o meu apoio,  independente se o autor é da situação ou oposição", disse.