Pesquisa acompanhou 228 pacientes e mostrou taxa de mortalidade inferior à registrada em grandes centros médicos internacionais.

Uma pesquisa desenvolvida no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) identificou que o acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um fator fundamental para reduzir o risco de ressangramento em pacientes com cirrose e hemorragia digestiva alta, uma das complicações mais graves da doença hepática.
O estudo, publicado na revista científica internacional Canadian Journal of Gastroenterology and Hepatology, também revelou que a taxa de mortalidade registrada no HCFMB para esses pacientes foi inferior à observada em outros grandes centros médicos ao redor do mundo.
A pesquisa é resultado da tese de doutorado da médica Dra. Mariana Barros Marcondes, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia em Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), sob orientação do professor Dr. Fernando Gomes Romeiro.
Acompanhamento de 228 pacientes
O trabalho acompanhou, de forma prospectiva e observacional, 228 pacientes internados com hemorragia digestiva alta associada à cirrose. Os pesquisadores analisaram o percurso clínico desde a admissão hospitalar até a alta ou eventual óbito, avaliando fatores como acesso à terapia intensiva, causas da cirrose e ocorrência de novos episódios de sangramento durante a internação.
Os resultados mostraram que pacientes com acesso à UTI apresentaram menor risco de ressangramento, reduzindo a possibilidade de complicações graves e melhorando os desfechos clínicos.
Segundo os pesquisadores, os dados reforçam a importância de protocolos ágeis para encaminhamento desses pacientes a leitos de terapia intensiva, especialmente em situações de emergência.
Álcool foi principal causa da cirrose
Outro achado relevante do estudo foi a identificação da Doença Hepática Alcoólica como a principal causa da cirrose entre os pacientes avaliados. A condição está relacionada ao consumo excessivo e prolongado de bebidas alcoólicas e figura entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de hemorragias digestivas graves.
Para o professor Fernando Romeiro, os resultados fornecem evidências importantes para a organização dos serviços de urgência e para a gestão de leitos hospitalares.
“Este trabalho demonstra que o acesso à UTI não é apenas uma medida de suporte avançado, mas uma intervenção clínica capaz de evitar o ressangramento e aumentar as chances de sobrevivência dos pacientes”, destacou.
A autora principal do estudo, Dra. Mariana Barros Marcondes, ressaltou que a publicação internacional reforça a qualidade da assistência e da produção científica desenvolvidas no HCFMB.
Os pesquisadores acreditam que os resultados poderão contribuir para a atualização de protocolos internacionais de atendimento e para a priorização de pacientes cirróticos com hemorragia digestiva alta na regulação de vagas em unidades de terapia intensiva.
Informações da Assessoria de Comunicação e Imprensa da FMB|Unesp