16 abril 2026
Iniciativa idealizada por estudantes e docentes busca promover saúde, desempenho esportivo e qualidade de vida entre alunos que conciliam treinos e rotina acadêmica

O Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu (IBB/Unesp) está desenvolvendo uma iniciativa voltada ao cuidado nutricional de estudantes-atletas da universidade. O projeto “Atleta Estudante” surgiu a partir da demanda de alunos que conciliam a rotina acadêmica com treinos e competições esportivas.
A proposta teve início no segundo semestre de 2025 e, neste primeiro momento, está direcionada aos integrantes da equipe de natação da Unesp, formada por estudantes de diferentes cursos que representam a universidade em campeonatos universitários.
De acordo com Julia Pavão, estudante de Nutrição do IBB e uma das idealizadoras da iniciativa, a proposta nasceu da observação das dificuldades enfrentadas pelos próprios atletas no dia a dia. “Fui percebendo que, nos treinos, participantes de vários cursos surgiam com demandas e dificuldades relacionadas à alimentação. Como sou atleta e estudante de Nutrição, essa demanda chegou até mim, e a partir disso começamos, ao lado de outros estudantes, a construir o projeto”, afirma.
Segundo ela, a iniciativa também se destaca pelo caráter interdisciplinar e formativo. “É muito importante ter esse projeto porque a nutrição esportiva está crescendo dentro da Unesp. Esses atletas conciliam a faculdade com os treinamentos para representar a universidade, e isso é muito puxado, pois temos demandas acadêmicas, como pesquisas, provas e atividades. Precisamos entender a rotina de cada um para ajudar na qualidade de vida e no desempenho”, complementa.
Além de beneficiar os atletas acompanhados, o projeto de extensão também tem papel importante na formação prática dos estudantes de Nutrição envolvidos. Atualmente, a iniciativa conta com seis alunos: Enrico Kitayama, Giovane Cassola, Ricardo Carioni, Matheus Assiz, Gabriel Henrique, além da orientação do educador físico e nutricionista, Gabriel Guarda, e das docentes Luiza Cristina Godim Domingues Dias, Coordenadora do Núcleo de Atenção aos Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência do IBB, e Renata Cintra, do Departamento de Ciências Humanas e Ciências da Nutrição e Alimentação. Juntos, o grupo atua nos estudos de casos, definições de condutas e orientações individualizadas.
Avaliação e acompanhamento individualizado
O professor orientador Gabriel Guarda explica que o acompanhamento oferecido aos atletas é realizado em diferentes etapas, com base científica e atenção às necessidades individuais de cada participante.
“O atendimento é dividido em dois momentos. Primeiro, o aluno passa por uma avaliação da composição corporal por bioimpedância. Depois, ele retorna para o atendimento nutricional, realizado pelos estagiários sob minha supervisão. Neste processo, levantamos informações relevantes, como histórico de saúde, hábitos alimentares, rotina de treinos, histórico de lesões e objetivos”, explica.
A partir desses dados, os estudantes e orientadores discutem os casos e definem as primeiras condutas. Em seguida, os atletas recebem orientações específicas e, ao longo do acompanhamento, passam por novas avaliações antropométricas, ajustes de conduta e, posteriormente, pela elaboração de um plano alimentar quantitativo, com base no cálculo do gasto energético e em diretrizes reconhecidas na área, como as recomendações da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva e o Guia Alimentar para a População Brasileira.
Ainda segundo Gabriel, um dos principais desafios observados está relacionado à monotonia alimentar, comum entre atletas universitários. “Muitas vezes, a alimentação acaba ficando muito centrada em carboidratos e proteínas, sem a diversidade necessária. Quando conseguimos ampliar esse olhar para incluir vitaminas, minerais, frutas, verduras e legumes, notamos ganhos importantes não só no desempenho esportivo, mas também no desempenho cognitivo e na qualidade de vida”, pontua.
Ele destaca também que, em muitos casos, pequenos ajustes alimentares já são capazes de gerar impactos positivos na rotina dos atletas. “Nem sempre são necessárias mudanças drásticas. Muitas vezes, pequenas adequações, quando bem planejadas e com boa adesão, já fazem diferença no rendimento, na recuperação e no bem-estar geral”, afirma.
Formação, esporte e qualidade de vida
A iniciativa também dialoga com um momento importante da formação em Nutrição dentro da universidade. De acordo com Gabriel, o projeto se conecta à ampliação do espaço da nutrição esportiva na graduação, área que passa a ganhar ainda mais relevância com a implementação da disciplina específica no curso a partir do segundo semestre de 2026.
Para os organizadores, o projeto representa uma oportunidade de promover saúde, estimular a prática de exercícios físicos e inspirar outros estudantes a enxergarem o esporte como parte importante da vida acadêmica e do bem-estar.
A expectativa agora é ampliar o atendimento para outras modalidades esportivas da universidade, expandindo o alcance da iniciativa e fortalecendo a integração entre saúde, ciência, esporte e extensão universitária.
Compartilhe esta notícia










