No Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, celebrado nesta terça-feira (20), ortopedista Daniel Giacóia explica os fatores de risco, a importância do diagnóstico precoce e os cuidados para preservar a saúde dos ossos.

A osteoporose é uma doença que pode evoluir durante anos sem apresentar sintomas e, muitas vezes, só é descoberta após uma fratura. Neste 20 de outubro, Dia Mundial e Nacional da Osteoporose, o médico botucatuense Daniel Giacóia, ortopedista e coordenador do Departamento de Ortopedia da Santa Casa de Piracicaba, chama a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, especialmente entre idosos e mulheres após a menopausa.
A doença provoca a redução da massa óssea e compromete a resistência dos ossos, aumentando o risco de fraturas mesmo em situações de baixo impacto, como uma queda da própria altura. Em casos mais avançados, atividades simples do cotidiano podem representar riscos.
Segundo Giacóia, o problema está relacionado a um desequilíbrio no processo natural de renovação dos ossos. Com o passar do tempo, o organismo pode perder mais tecido ósseo do que consegue produzir.
“É uma doença silenciosa, que se desenvolve ao longo dos anos. Muitas vezes, o paciente só descobre quando sofre uma fratura”, explica o especialista.
Fraturas podem comprometer a independência
Entre as principais preocupações estão as fraturas na coluna vertebral e no quadril, regiões frequentemente atingidas pela osteoporose.
Na coluna, as lesões podem provocar dores persistentes, alterações na postura e até diminuição da altura. Já as fraturas de quadril representam um risco especialmente importante para a população idosa, pois podem exigir cirurgia, internação prolongada e reabilitação.

“As fraturas de quadril, em geral, são mais graves e podem resultar em imobilização, cirurgia ou até mesmo morte”, alerta Giacóia.
Além das consequências físicas, essas lesões podem comprometer a autonomia do paciente, que passa a depender de ajuda para realizar atividades antes consideradas simples.
Mulheres são mais afetadas, mas homens também correm riscos
Embora seja mais frequente entre mulheres após a menopausa, a osteoporose também pode atingir os homens.
Nas mulheres, a redução dos níveis de estrogênio acelera a perda de massa óssea. Entre os homens, o envelhecimento e as alterações hormonais, incluindo a diminuição da testosterona, estão entre os fatores associados à doença.
O ortopedista observa que muitos homens ainda não reconhecem a necessidade de avaliar a saúde óssea, o que pode atrasar o diagnóstico.
O risco também pode aumentar em pessoas com deficiência de vitamina D, alterações na tireoide ou nas paratireoides, histórico de cirurgia bariátrica e uso prolongado de medicamentos à base de corticoides.
Pacientes em tratamento contra o câncer ou com determinadas doenças reumatológicas também precisam de atenção especial, já que algumas condições e terapias podem favorecer a perda óssea.
Exame ajuda a identificar a doença antes das fraturas

Uma das principais ferramentas para investigar a osteoporose é a densitometria óssea, exame que avalia a densidade mineral dos ossos, principalmente na coluna lombar e no quadril.
O procedimento é rápido, indolor e permite identificar alterações na massa óssea, inclusive antes do surgimento de complicações.
Entretanto, o resultado precisa ser analisado em conjunto com o histórico clínico do paciente.
A avaliação médica considera fatores como idade, doenças associadas, uso de medicamentos e histórico de fraturas. Dependendo do caso, exames complementares podem ser necessários para definir a conduta mais adequada.
Prevenção começa com hábitos saudáveis
A manutenção da saúde óssea depende de cuidados que devem começar antes da terceira idade.
Entre as principais recomendações estão a prática regular de atividades físicas, especialmente exercícios de fortalecimento muscular e atividades com impacto adequado à condição de cada pessoa.
A alimentação também desempenha papel importante. O consumo suficiente de cálcio, encontrado em alimentos como leite, derivados e vegetais verde-escuros, contribui para a manutenção dos ossos.
A vitamina D é outro nutriente essencial, pois auxilia na absorção do cálcio. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente por um profissional de saúde.
Evitar o cigarro e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também faz parte das medidas preventivas.
Para pessoas idosas, a prevenção de quedas merece atenção especial, incluindo cuidados com obstáculos dentro de casa, iluminação adequada e acompanhamento de alterações de equilíbrio e mobilidade.
Diagnóstico precoce pode preservar a qualidade de vida
Quando a osteoporose é identificada, o tratamento pode envolver medicamentos específicos, mudanças nos hábitos de vida e acompanhamento periódico para reduzir o risco de novas fraturas.
O tipo de tratamento depende das características de cada paciente e da avaliação do risco de fratura.
O médico botucatuense reforça que a preocupação com os ossos não deve começar apenas quando surgem problemas.
“Cuidar da saúde dos ossos é uma tarefa para todas as idades, e a prevenção é a melhor forma de garantir qualidade de vida no futuro”, conclui Daniel Giacóia.