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Pesquisa coordenada pelo médico hematologista Rafael Dezen Gaiolla, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), analisou 2.396 pacientes e revelou diferenças significativas na sobrevida entre as redes pública e privada de saúde.

Pesquisa coordenada pelo médico hematologista Rafael Dezen Gaiolla, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), analisou 2.396 pacientes e revelou diferenças significativas na sobrevida entre as redes pública e privada de saúde.

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Jornal da Unesp, portal de notícias da Universidade Estadual Paulista, identificou desigualdades na sobrevida de pacientes com linfoma atendidos pelas redes pública e privada de saúde no Estado de São Paulo.

A pesquisa analisou 2.396 pacientes diagnosticados com linfoma difuso de grandes células B, um tipo agressivo de câncer que afeta o sistema imunológico. Os dados foram obtidos do Registro Hospitalar de Câncer do Estado de São Paulo, considerando pacientes que iniciaram o tratamento entre 2015 e 2020.

Os resultados revelaram que, após cinco anos, 51,7% dos pacientes tratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estavam vivos, contra 64,7% daqueles atendidos na rede privada, apesar de ambos os grupos receberem o mesmo protocolo de tratamento.

Segundo o médico hematologista Rafael Dezen Gaiolla, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) e um dos coordenadores da pesquisa, os resultados demonstram que outros fatores influenciam diretamente o prognóstico dos pacientes.

“A sobrevivência não depende única e exclusivamente do tratamento que é oferecido”, afirmou o especialista ao Jornal da Unesp.

Escolaridade também influencia a sobrevida

Outro resultado importante foi a relação entre escolaridade e sobrevivência. Pacientes com até oito anos de estudo apresentaram risco de morte 47% maior, independentemente de fatores como idade, sexo e tipo de atendimento.

A sobrevida em cinco anos foi de 63,9% entre pacientes com nove anos ou mais de escolaridade, enquanto entre aqueles com até oito anos de estudo o índice ficou em 45,2%.

Para Gaiolla, questões relacionadas ao autocuidado, à compreensão das orientações médicas e à adesão ao tratamento podem ajudar a explicar essa diferença.

Pesquisa pode orientar políticas públicas

O estudo, publicado na revista científica Blood Global Hematology, reforça a necessidade de compreender as desigualdades no atendimento oncológico e desenvolver estratégias para melhorar os resultados dos tratamentos.

Os pesquisadores também identificaram diferenças relacionadas ao sexo e à faixa etária dos pacientes, que deverão ser investigadas em novos estudos.

A equipe já trabalha em outra pesquisa, desta vez voltada aos pacientes que apresentam recidiva da doença e precisam de uma segunda linha de tratamento.

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