15 julho 2026
Estudo coordenado pelo professor William Fernando Zambuzzi, do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, aponta descoberta inédita que pode contribuir para novos tratamentos de doenças ósseas

Pesquisas desenvolvidas no Instituto de Biociências (IBB) da Unesp, em Botucatu, revelaram um papel até então desconhecido das células dos vasos sanguíneos na formação e maturação dos ossos. Os resultados, divulgados pelo Jornal da Unesp, mostram que veias e artérias participam ativamente do desenvolvimento do tecido ósseo, ampliando a compreensão sobre doenças como a osteoporose e indicando novas possibilidades para futuros tratamentos.
Os estudos são conduzidos há cerca de uma década pelo Laboratório de Bioensaios e Dinâmica Celular (LaBio), do IBB, coordenado pelo professor William Fernando Zambuzzi. A pesquisa demonstrou que as células musculares lisas presentes na parede dos vasos sanguíneos desempenham papel fundamental na transformação dos osteoblastos — células responsáveis pela formação do osso — em osteócitos, células maduras que garantem a manutenção e a integridade do tecido ósseo ao longo da vida.
“Nós mostramos, de uma maneira bastante inédita, que as células vasculares de musculatura lisa têm uma função importante para promover a diferenciação de osteoblastos em osteócitos. E esse é um aspecto que ainda não tinha sido discutido na literatura científica”, afirmou Zambuzzi ao Jornal da Unesp.

Segundo o pesquisador, a descoberta reforça que os vasos sanguíneos exercem funções muito além do transporte de sangue, influenciando diretamente a qualidade do tecido ósseo.
“Se os vasos sanguíneos participam ativamente da produção do tecido ósseo, pode-se inferir que disfunções vasculares podem repercutir diretamente na qualidade do esqueleto e na etiologia e progressão de doenças crônicas não transmissíveis”, explicou o docente.
A equipe agora investiga se alterações nesse processo podem estar relacionadas ao desenvolvimento da osteoporose. A hipótese é que falhas na formação dos osteócitos possam favorecer a degradação óssea, o que abre perspectivas para o desenvolvimento de terapias capazes de interromper esse mecanismo.
“A partir da confirmação dessa hipótese, por exemplo, pode ser desenvolvido um mecanismo biotecnológico capaz de interferir na relação entre osteócitos e osteoclastos. Assim, o processo que daria origem à osteoporose seria interrompido, garantindo uma melhor qualidade de vida para as pessoas”, destacou Zambuzzi.

As pesquisas realizadas em Botucatu também deram origem ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Óssea e Controle de Doenças Crônicas (INCT-BIOCRON), sediado no IBB da Unesp. Com investimento estimado em R$ 13 milhões ao longo de cinco anos, o centro reunirá pesquisadores brasileiros e internacionais para investigar doenças como osteoporose, diabetes, obesidade, câncer e Alzheimer, além de desenvolver novos biomateriais e terapias voltadas à regeneração óssea.
Os resultados foram publicados na revista Biochimica et Biophysica Acta (BBA) – Molecular Cell Research. “Nós mostramos, de uma maneira bastante inédita, que as células vasculares de musculatura lisa têm uma função importante para promover a diferenciação de osteoblastos em osteócitos. E esse é um aspecto que ainda não tinha sido discutido na literatura científica”, afirma Zambuzzi.
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