24 julho 2026
Pesquisa da Unesp aponta que felinos demoram, em média, 74 horas para retornar a locais após a passagem de cachorros

A presença de cães em áreas de proteção ambiental pode alterar o comportamento das onças-pardas. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Unesp identificou que os felinos reorganizam seus deslocamentos e evitam pontos onde cachorros foram registrados.
Segundo reportagem publicada pelo Jornal da Unesp, as onças levam, em média, 74 horas para retornar ao mesmo local após a passagem de um cão. O uso habitual da área é retomado somente depois de cinco ou seis dias.
O trabalho utilizou 67 armadilhas fotográficas instaladas na Estação Ecológica de Santa Bárbara e na Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara, no interior paulista. Durante quase um ano de monitoramento, foram registrados 300 eventos envolvendo cães domésticos e 194 aparições de onças-pardas.
A bióloga Rita Bianchi, professora da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp de Jaboticabal, explicou ao portal que o aumento dos registros de cães em unidades de conservação motivou o estudo.
“Isso despertou nossa preocupação”, afirmou a pesquisadora ao Jornal da Unesp.
Os registros mostraram que cães e onças utilizam as mesmas áreas, mas em horários diferentes. Os cachorros circulam principalmente durante o dia, enquanto os felinos apresentam hábitos predominantemente noturnos e crepusculares.
Mesmo sem confronto direto, a passagem dos cães provoca mudanças na ocupação do espaço pelas onças. Esse fenômeno é chamado pelos pesquisadores de “paisagem do medo”: a percepção de risco já é suficiente para alterar rotas, horários e áreas de alimentação.
A pesquisa também aponta que os cães encontrados nas unidades de conservação pertencem, em sua maioria, a propriedades rurais próximas. Apesar de terem alimento e local para retornar, eles permanecem soltos e percorrem estradas, lavouras e fragmentos de vegetação.
“O problema não é o animal em si, mas o fato de ele circular sem supervisão”, disse o pesquisador Rodolpho Gonçalves da Silva ao portal.
Além de interferirem no comportamento da fauna silvestre, cães sem supervisão podem formar matilhas, competir por alimentos e transmitir doenças. Os pesquisadores ressaltam que os animais não devem ser tratados como vilões, pois o problema está relacionado à maneira como são mantidos pelos responsáveis.
Entre as medidas defendidas estão a castração, a microchipagem, a vacinação, a educação ambiental e o incentivo à guarda responsável, principalmente em propriedades localizadas no entorno de áreas protegidas.
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