Escritório trabalhará inovação dentro e fora da Unesp

As universidades são referências para sociedade como ambientes ricos na produção do conhecimento. Mas como é possível fazer todo esse “saber” transformar de fato, na prática, a vida das pessoas. Talvez, inovar seja a solução. É o que fez o Instituto de Biociências da Unesp, câmpus Botucatu, que acaba de criar um Escritório de Inovação e Tecnologia, também conhecido como IBIT, inaugurado na tarde desta quarta-feira (7). Dentro deste “espaço coworking” alunos de graduação e pós-graduação podem desenvolver atividades de inovação com a ajuda de mentores do Instituto de Biociências de Botucatu, ou mesmo fora dele.

“O IBIT é um verdadeiro ecossistema de inovação, que entre outras coisas também visa fazer a conexão das competências desenvolvidas na universidade com a sociedade e com o setor empresarial, envolver alunos e docentes por meio de disciplinas de empreendedorismo, além de divulgar oportunidades e eventos de interesse. Tínhamos essa demanda represada, mas precisávamos de um espaço físico para disseminar a questão do empreendedorismo junto ao estudante e profissional formado na universidade, que a meu ver é uma tendência, um caminho sem volta”, enfatiza a coordenadora do escritório, a Profª DraLuciana Fleuri.

“O conhecimento acadêmico fica, em muitas situações, restrito aos muros das instituições. Então essa nossa iniciativa vem de encontro a isso. Ou seja, permitir essa interface e colocar nossos alunos (graduandos e pós-graduandos) em contato com o mercado de uma forma mais dinâmica e facilitada, aproximando a sociedade da nossa instituição”, argumenta o diretor do IB em Botucatu, Prof. Dr. Cesar Martins.

Como o Instituto de Biociências também faz parte do Núcleo de Empreendedorismo e Inovação (NEI) do Parque Tecnológico Botucatu, o IBIT é considerado o primeiro “Observatório” implantado no âmbito das unidades da Unesp. Ele servirá de modelo a ser seguido por outras instituições integrantes deste núcleo, com objetivo de estimular o empreendedorismo dentro do ensino superior do Município.

“Trata-se de uma nova e importante fase para o nosso ecossistema de inovação, fortalece a integração da universidade com o setor produtivo e o setor público. Quando os representantes institucionais, de forma organizada, se mostram preocupados e determinados em mudar a realidade do lugar onde convivem, focados no desenvolvimento sustentável, potencializam as chances de se obter resultados positivos à comunidade”, comenta o diretor do Parque Tecnológico Botucatu, Carlos Costa.

Empreendedorismo nas escolas públicas

Uma outra maneira de envolver a comunidade “além dos muros da universidade” será através do projeto “Educação, Inovação e Empreendedorismo”, que engloba o programa chamado de “IBIT Jr.”. Trata-se de uma iniciativa em parceria com a Secretaria de Educação de Botucatu e o Sebrae para estimular o empreendedorismo dentro das escolas.

“Numa primeira etapa, o Sebrae fará a formação dos nossos professores do 9º do ensino fundamental II. Na sequência, estaremos escolhendo os 20 alunos que mais se destacarem e dar uma bolsa. Numa segunda etapa, esses alunos estarão vindo à universidade e entrarão em contato com atividades de iniciação científica e atividades de empreendedorismo junto à equipe do IBIT. Tenho certeza que esses meninos e meninas vão tomar gosto e serão nossos multiplicadores”, acredita o secretário municipal de Educação e docente do IB, Prof. Valdir Paixão.

Retornar o conhecimento à sociedade

Para o Prof. Wagner Cotroni Valenti, que assumiu no início deste ano a direção da Agência Unesp de Inovação (AUIN), o IBIT pode ser visto de fato como um modelo a ser seguido dentro da universidade. “O IB sempre foi um instituto muito pujante. Um dos campeões em termos de publicações dentro da Unesp. Sempre gerou tecnologia e conhecimento em altíssimo nível. Agora, enxergou a importância de ter um escritório de inovação. E nós da AUIN seremos um facilitador desse intercâmbio de tecnologia e conhecimento com o setor privado”, afirma Valenti, que no mesmo dia de inauguração do IBIT ainda ministrou uma palestra sobre a missão da AUIN.

“Não podemos ficar preocupados em apenas aumentar o número de patentes, ou se elas irão ou não gerar royalties. Temos que atuar como facilitadores, de uma forma dinâmica. Mas, principalmente, trabalhar para que todo este conhecimento gerado dentro da universidade retorne em benefícios à sociedade na prática. No momento em que as pessoas tiverem a real noção do impacto da ciência na vida delas, como a descoberta de uma vacina à dengue, por exemplo, talvez não precisemos mais ficar argumentando sobre a importância de se investir nesta área”, complementa.

Mais informações

Empresas, estudantes ou demais interessados em saber um pouco mais sobre essa iniciativa e o time de especialistas do IBIT, podem visitar o site http://www3.ibb.unesp.br/ibit.