Embraer avalia criar um novo jato comercial de 50 lugares para atender EUA

A Embraer estuda criar um novo jato comercial de 50 lugares para atender demanda de mercado na aviação regional, especialmente nos Estados Unidos.

A informação foi confirmada por Victor Vieira, diretor de estratégia de mercado da Embraer, durante a Cúpula de Previsão de Aviação Internacional do Boyd Group, realizada na última terça-feira.

“Há uma oportunidade no setor. Atualmente, faz sentido ter um novo avião de 50 lugares lugares”, disse ele, segundo o portal de notícias FlightGlobal, na conferência das companhias aéreas.

Na ocasião, as empresas debateram a demanda por novos jatos comerciais de 50 assentos e a dinâmica do mercado, que ainda deixa as fabricantes na incerteza de se comprometerem.

Ainda segundo o portal, o executivo-chefe da norte-americana SkyWest, Chip Childs, disse que quer um novo modelo de 50 lugares para substituir os antigos Bombardier CRJ200 e Embraer ERJ.

O executivo afirmou que as principais companhias aéreas clientes da SkyWest, como American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines, todas americanas, pretendem manter a frota de 50 passageiros em operação no futuro previsível.

“Temos cerca de 200 deles agora. Sabemos que podemos voar com 150 deles por um tempo muito, muito longo. Ainda há boa demanda por 50 lugares”, disse Childs à FlightGlobal.

FROTA.

Atualmente, companhias aéreas operam cerca de 1.100 jatos na categoria de 50 assentos no mundo, quase todos CRJs (Bombardier) e ERJs (Embraer). As transportadoras americanas operam cerca de 700 jatos, muitos deles com mais de 20 anos.

Com isso, o debate sobre o destino desses aviões torna-se mais urgente a cada ano, à medida que a frota se aproxima da aposentadoria, e não há substitutos no mercado.

INCERTEZAS.

O diretor da Embraer disse que, embora haja a oportunidade, a empresa ainda vê o caso com alguma incerteza. Ele questiona se as operadoras americanas não preferirão substituir a frota de 50 passageiros por aeronaves maiores.

A questão está em aberto por causa de cláusulas em negociações das companhias aéreas americanas com pilotos, que especificam o número de jatos regionais por quantidade de assentos. Alterações nesses contratos abririam espaço para os novos jatos comerciais da Embraer, os E-Jets E2.

“Valerá a pena do ponto de vista econômico? Esse é o ponto”, disse Vieira sobre desenvolver um novo modelo de 50 lugares. “Tem que haver um bom negócio para justificar”.

Para o mercado, a Embraer parece ser a fabricante mais capaz de empreender tal projeto, ainda que a venda da maior parte da aviação comercial para a Boeing traga incertezas quanto ao futuro.

Principal concorrente da brasileira no mercado de jatos regionais, a canadense Bombardier praticamente saiu da aviação comercial após a venda do setor para a Airbus. Outra concorrente, a Mitsubishi, está ocupada com o desenvolvimento de seu jato regional SpaceJet.

Fonte: Jornal O Vale