Serviço de óbito contesta demora em entrega de corpo

Por intermédio do programa “A Marreta” na Rádio Municipalista uma mulher denunciou que o corpo de um parente seu havia morrido por volta das 18 horas de quinta-feira da semana passada (15) e só foi liberado para ser velado por volta do meio dia do dia seguinte, ou seja, sexta-feira (16). Na ocasião o caso resultou em um comentário crítico do apresentador Vanderlei dos Santos, pelo fato da demora para entrega do corpo.

O presidente da Câmara Municipal de Botucatu, vereador Ednei Carreira, que estava dando entrevista a esta mesma rádio nesse dia, adiantou que preparou um documento oficial para ser encaminhado ? Superintendência do HC para que as explicações sejam dadas, assim como buscar alternativas para que o atendimento seja mais ágil. “É lamentável que isso esteja acontecendo e a Câmara não pode fechar os olhos a este problema. Por isso estamos pedindo explicações de como é o funcionamento e como o problema poderá ser solucionado. Não tem sentido um hospital desse porte não contar com um atendimento 24 horas”, justificou Carreira.

Em fevereiro de 2013 o jornal Acontece já havia publicado reportagem sobre os corpos que levam mais de 12 horas para serem liberados. Na ocasião, essa demora foi reconhecida pela própria superintendência que não tem um trabalho direcionado nessa área 24 horas por dia.

De acordo com informações coletadas, o SVO funciona de segunda a sexta-feira, das 8 ? s 20 horas e aos finais de semanas e feriados das 9 ? s 20 horas e não há técnicos especializados suficientes. O SVO atende segundo o HC, aproximadamente, 70 cidades da região e realiza, em média, sete procedimentos por dia.

Ainda foi informado que “o SVO é um serviço de avaliação da causa da morte desconhecida ou duvidosa, com o objetivo de fornecer elucidação diagnóstica e informações complementares para o serviço de epidemiologia e políticas de saúde pública em geral, o que para a sociedade é de suma importância, pois pode colocar em evidência os possíveis riscos a saúde que estão em emergência, tanto os já conhecidos quanto os que não são comuns, ou ainda casos de uma doença nova em um determinado local”.

Na tarde desta quarta-feira (23), a Superintendência do Hospital das Clínicas (SHC) de Botucatu por intermédio da Diretoria de Assistência ? Saúde e do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), encaminhou uma nota para esclarecer o fato. Segundo ela (nota), o óbito ocorreu no dia 16 de janeiro de 2014 fora das dependências do HC-FMB e, conforme consta no Boletim de Ocorrência registrado pela família, no horário das 19 horas. Entretanto, a solicitação de SVO deu entrada no Hospital ? s 23h30, conforme documentação protocolada e arquivada no serviço. O procedimento foi realizado ? s 8 horas do dia 17/01/2014 e o corpo liberado ? s 10h30 para a funerária escolhida pela família realizar o preparo completo. Sendo assim, as informações da mulher ? rádio sobre os horários de entrada e saída do corpo do SVO do HC-FMB, segundo a nota, são incorretas e devem ser corrigidas.

Continua a nota que o SVO do HCFMB é parte da Rede Nacional de SVO instituída pela Portaria Nº 1.405 de 29 de junho de 2006, do Ministério da Saúde (MS), que classifica os SVOs conforme o número de habitantes da região atendida, em categorias de I a III. O SVO do HCFMB é de porte II e segundo determinação da Portaria, não necessita de funcionamento durante 24 horas.

Durante o ano de 2013, o SVO do HCFMB realizou 444 necropsias, com média de 37 procedimentos ao mês. Destes, 49 deram entrada no serviço entre 21h40 e 8 horas. Esses números são compatíveis com as especificações de um SVO de porte II e justificam a normatização de horários conforme adotada pelo HC-FMB.

Apesar das determinações da Portaria, o HCFMB entende a necessidade de ampliação do serviço, o que certamente trará mais conforto aos familiares dos pacientes que foram a óbito e necessitam ser submetidos a este procedimento. Para isto, está trabalhando em projeto de expansão do SVO, com a ampliação da equipe e a criação do SVO Regional do HCFMB, que prestará serviços também ? s regiões do Bauru, Jaú e Lins, o que possibilitará seu funcionamento ininterrupto durante 24 horas.

O HC encerra a nota salientando que “compreendemos as dificuldades enfrentadas pelos familiares neste momento tão triste e nos colocamos ? disposição para qualquer novo esclarecimento”.