Saúde de Botucatu conquista prêmio nacional

A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Botucatu (Cerest) e da Vigilância Sanitária Municipal, recebeu prêmio de melhor trabalho apresentando na 14ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi), na categoria “Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador”. 

O evento, organizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, foi realizado de 28 a 31 de outubro passado, em Brasília, e reuniu mais de 3 mil participantes com o objetivo de reconhecer serviços de saúde do SUS que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades relevantes à Saúde Pública.

O trabalho “Saúde do trabalhador da construção civil: a experiência de atuação intrassetorial de Botucatu” foi apresentado por Teresa Cristina Marinho, engenheira do Cerest de Botucatu. A excelente colocação proporcionou a premiação de R$ 50 mil ao Cerest Botucatu, que será repassado ao Fundo Municipal da Saúde.

O programa ainda contou com a participação efetiva de Fernanda Franciso, técnica de segurança do trabalho do Cerest; Humberto Petry Daiuto, fisioterapeuta; além de Marilu de Fátima Souza da Silva e Rosana Cristina de Lara Marins Minharro, agente sanitário e chefe da Vigilância Sanitária de Botucatu, respectivamente.

 

Resultado na prática

Nos últimos cinco anos o número de obras (públicas e privadas) acompanhou o crescimento de Botucatu. Porém as denúncias na construção civil também aumentaram. De acordo com o Cerest, em 2011, as denúncias no setor representavam 13% do total e passaram para 31% em 2012.

O trabalho desenvolvido pelo Cerest neste período envolveu três grandes construtoras da Cidade, 21 empreiteiras e mais de 600 trabalhadores em 12 obras executadas. Diante deste cenário, ao invés de verificar caso a caso, o Cerest e a Vigilância Sanitária optaram por mapear as principais obras em execução no Município, as construtoras responsáveis e suas respectivas empreiteiras. 

A partir deste mapeamento, todas as empresas foram convocadas para reunião informativa em que foram abordados temas como “Situação dos alojamentos dos trabalhadores da construção civil evidenciadas em Botucatu e sua adequação em relação à legislação”; “Amianto: riscos à saúde e proibição do uso de materiais contendo esta fibra no Estado de São Paulo” e “Boas práticas na manipulação de alimentos”. 

O diferencial desta forma de trabalhar, segundo os profissionais envolvidos neste trabalho, é a inversão da lógica uma vez que as empresas agora têm a possibilidade de corrigir as irregularidades antes de serem fiscalizadas ou denunciadas ao Cerest, Vigilância Sanitária, Sindicato ou Ministério do Trabalho. 

Os profissionais ainda relatam que, ao trabalhar desta forma, conseguem abranger todo o efetivo de trabalhadores das construtoras e empreiteiras, o que seria impossível em fiscalizações pontuais. Isso reflete um amadurecimento da equipe técnica, que vem sendo tecido ao longo dos anos, e está em consonância com a Política de Saúde do Trabalhador atualmente em vigor.

“Nossas equipes chegaram a flagrar ambientes de trabalho com superlotação, trabalhadores lavando suas roupas no chão, condições precárias de higiene, e até uma carga de telhas contendo amianto chegando em uma obra”, ressalta o secretário Municipal de Saúde, Cláudio Lucas Miranda.

 

Sobre o Cerest Botucatu

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Botucatu está sob a gestão da Fundação UNI, organização social que mantém parceria junto à Prefeitura de Botucatu desde 2009.

A unidade atende questões relativas à saúde dos trabalhadores e busca promover ações preventivas (ações educativas e fiscalização dos ambientes de trabalho), bem como prestar assistência e orientação aos trabalhadores acometidos por doenças e acidentes relacionados ao trabalho. 

O Cerest local, além de Botucatu, atende outras 12 cidades do Polo Cuesta: Areiópolis, Anhembi, Bofete, Conchas, Itatinga, Laranjal Paulista, Pardinho, Pereiras, Porangaba, Pratânia, São Manuel e Torre de Pedra.

A equipe de trabalho é composta por: médico, engenheiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho, fisioterapeuta, psicólogo, enfermeiro, auxiliares de enfermagem (2), auxiliar administrativo e auxiliar de serviços gerais.