Relato de estudante de Botucatu que teve trombose viraliza na Internet

relato_XwJZ2jNAlerta feito por universitária de Botucatu que quase morreu em razão de uma trombose venosa cerebral, que pode ter sido provocada pelo uso do anticoncepcional Yaz, viralizou na Internet. A postagem foi feita na terça-feira (2) em uma rede social e, em pouco mais de 24 horas, já havia sido compartilhada por mais de 45 mil pessoas e recebido mais de 130 mil comentários.

A estudante Juliana Pinatti Bardella conta que o primeiro sintoma de que algo não estava bem foi uma pequena dor de cabeça que, em três semanas, evoluiu para uma dor insuportável. Na primeira avaliação médica, em Botucatu, a jovem relata que não houve pedido de exames ou encaminhamento para um especialista e que apenas foi orientada a tomar remédios para enxaqueca.

Internada

577696_344299175638099_611165961_nDois dias depois, ao tentar levantar da cama, a perna direita não respondeu aos seus comandos. “Escovando os dentes, percebi que minha mão direita também não estava normal”, narra. Juliana pegou o celular para fazer uma ligação, mas não conseguiu. “Fiquei muito tempo olhando para a tela sem saber o que fazer, como se tivesse esquecido como manusear um telefone”, revela.

Após alguns minutos, segundo a estudante, a visão dela começou a ficar turva. “Já não conseguia fazer nada sozinha, não realizava nenhum raciocínio básico”, diz. Ajudada por amigas, ela aguardou até que a mãe viesse de outra cidade. “Meus pais resolveram me levar com urgência para um hospital em São Paulo”, declara. Após exames, a jovem foi diagnosticada com trombose venosa cerebral.

“Foi um choque, não consegui entender bem o que estava acontecendo. O médico me perguntou se eu tomava anticoncepcional, eu disse que sim, há cinco anos, e então ele disse que essa poderia ser a causa do problema”, relata. “Foram três dias dentro da UTI, e um total de quinze dias de internação. A causa era mesmo o anticoncepcional, um remédio que era pra estar me ajudando, mas que poderia ter me causado uma sequela irreparável ou até mesmo algo pior”.

Alerta

Juliana alega que nenhum dos três médicos pelos quais passou nos últimos cinco anos lhe alertou sobre os riscos do uso de anticoncepcional ou sobre a possibilidade de ter trombose. “Não tenho histórico familiar, não sou fumante, e os exames de sangue estavam normais, não tinha predisposição a ter trombose”, diz. Mesmo após o susto, ela defende os benefícios do medicamento e deixa um alerta: “Mulheres, preocupem-se, pesquisem e perguntem!”.

Fabricante nega

O laboratório Bayer, fabricante do anticoncepcional Yaz, usado pela estudante, diz que, em 2014, Comissão Europeia que avalia contraceptivos hormonais combinados concluiu que os benefícios desse tipo de medicamento na prevenção da gravidez não planejada continuam a superar os riscos e que a possibilidade de tromboembolismo venoso (TEV), associada ao seu uso é pequena. O fabricante ressaltou, ainda, que todos os seus produtos são aprovados por grandes órgãos regulatórios mundiais, incluindo a Anvisa.

(Fonte: JCNet)