FMB participa de congresso sobre saúde da mama

A ciência comprova por meio de pesquisas que o apoio familiar à pacientes com câncer é fundamental para sua recuperação. O próprio Instituto Nacional de Câncer (INCA) preconiza que “durante o tratamento, o que eles (pacientes) mais precisam é de solidariedade. A ajuda de amigos e familiares é fundamental em todos os momentos”. Na esteira dessa realidade, dois estudos desenvolvidos pelo Departamento de Enfermagem da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) reiteram a importância dos familiares na reabilitação de mulheres com câncer de mama.

Denominado “Percepção das mulheres submetidas à cirurgia de câncer de mama na participação da família na reabilitação física”, a pesquisa desenvolvida pela professora Maria de Lourdes da Silva Marques Ferreira, em parceria com a professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) Giselle Dupas, ouviu dez mulheres que passam por tratamento no Setor de Reabilitação Física do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

As entrevistadas revelaram medo e crença no estigma do câncer como doença incurável. Neste sentido, citaram ameaças, incertezas e momentos de estresse familiar no momento do diagnóstico, tratamento e também durante o processo de reabilitação. “Há necessidade de os familiares serem como um profissional especializado e possuírem estrutura suficiente para estar com a mulher ou o familiar doente”, explica a docente do Departamento de Enfermagem.

A segunda pesquisa intitulada “Performance da vida quotidiana: Atividades da mulher sob cirurgia conservadora da mastectomia para câncer de mama” teve por objetivo avaliar a performance das atividades diárias da mulher após cirurgia de mastectomia (retirada da mama) em função do câncer de mama. As dez mulheres ouvidas relataram dificuldades na execução de determinadas tarefas que realizavam normalmente antes da cirurgia.

 “O tratamento para o câncer de mama na atualidade aumentou a sobrevivência das mulheres, mas pode expô-las a uma série de complicações pós-operatórias. Assim, a reabilitação é necessária e percebida pelas mulheres com objetivo de tornar as limitações temporárias”, salienta professora Maria de Lourdes. Este segundo trabalho também é assinado por Carla Regiani Conde, Talita Lemos, Maria Paula Soares Pozati, Nágila Oliveira e Fernanda Mazetto, todas alunas dos Programas de Pós-Graduação do Departamento de Enfermagem.

 

Trabalhos

O desenvolvimento das pesquisas resultou na apresentação delas no XVIII Sis World Congress on Breast Healthcare, iniciativa que tem a finalidade de discutir as últimas pesquisas e técnicas na área da saúde da mama. O evento foi realizado entre os dias 16 e 19 de outubro, na cidade de Orlando, na Flórida (EUA). A apresentação foi feita pela professora Maria de Lourdes da Silva Marques Ferreira.

Durante os dias em que esteve em Orlando, Maria de Lourdes teve a oportunidade de conhecer realidades distintas de prestação de serviços à mulheres portadoras da doença. “Realizei uma visita no Flórida Hospital Cancer Institute para conhecer o atendimento oferecido às mulheres com câncer de mama e visitei a ala infantil do referido hospital”, finaliza.