Vila dos Meninos atende a crianças carentes

Fotos: Valéria Cuter

Idealizada pelo então Arcebispo Dom Henrique Golland Trindade em 1953 e inaugurada, oficialmente em 1966, quando recebeu seus primeiros “hóspedes” a Vila dos Meninos “Sagrada Família” ou Casa dos Meninos, que fica na Rua Coronel Fonseca, no Jardim Bom Pastor, continua nos dias atuais desempenhando seu papel na sociedade botucatuense dando guarida a crianças e adolescentes carentes.

Administrada pelas Irmãs Servas do Senhor, passaram pela entidade ao longo dos anos milhares de crianças e adolescentes que foram amparadas e protegidas naquele período complexo da vida em que se encontravam, mantendo sua finalidade fundacional.

Assumiu nessa atual etapa o atendimento de crianças e adolescentes, agora de ambos os sexos, favorecendo o apoio educacional, orientação pedagógica, psicológica, intelectual, espiritual e profissional, visando ? proteção social, o desenvolvimento das potencialidades e a consolidação da cidadania através do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

A instituição funcionou como orfanato até o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em julho de 1990 e sua implantação na cidade. Após o período de transição enquadrou-se nos novos parâmetros do atendimento da criança e/ou adolescente vigente, sem adoção.

Hoje funciona como escola em dois períodos divididos por faixa etária. Dos 6 aos 12 anos, no período da manhã (1º ao 5º ano) e dos 12 aos 16 anos, no período da tarde. Estão matriculadas hoje na Vila dos Meninos 110 crianças, sendo a maioria (72) no período da manhã. Dessas 70% são do sexo masculino.

De acordo com a irmã Lucimara da Silva, a Vila não tem condições de atender mais do que 110 alunos. “Como não temos estrutura para abrigar mais de 110 crianças, existe uma lista de espera e a prioridade é dada para aquelas que têm maior carência, independente do sexo. Por isso, é feito uma triagem em todas as crianças. Procuramos manter aqui somente crianças (meninos e meninas) mais carentes”, colocou a religiosa.

Explica que no projeto recebem carinho, alimentação, higiene, atendimento médico e odontológico e também aprendem a cultivar o respeito, a paz e a solidariedade. “Desenvolvemos oficinas, atividades terapêuticas, treinamento desportivo, futebol de campo, futsal, handebol, basquete, voleibol e aula de dança, entre outras coisas”, enumera Lucimara. “Para as crianças a partir dos 6 anos temos o parquinho e várias salas de atividades e recreação”, emenda.

{n}Maioria evangélica{/n}

Embora seja uma instituição católica, a maioria que faz parte do projeto vem de famílias de evangélicos. “Pelo menos 80% dos meninos e meninas são evangélicos, mas recebem orientação espiritual da igreja católica, inclusive, participam das missas. Mas, isso nunca nos trouxe qualquer tipo de problema, pois os pais sabem como são as normas internas”, disse.
Enfoca que para sobreviver a Vila dos Meninos depende de ajuda externa de sócios, benfeitores, amigos, diretores, irmãs e convênios com o estado e Prefeitura, além de promoções de eventos. “Para manter a estrutura funcionando contamos com 12 funcionários e 6 irmãs, além de pessoas voluntárias que nos ajudam no dia a dia. Sem esse apoio nada disso seria possível”, reconhece.

A religiosa adianta que as pessoas que quiserem contribuir com a Vila dos Meninos podem fazer doação de cestas básicas, materiais de construção, roupas e calçados, ou ainda serviços voluntários de pedreiro, encanador e pintura, entre outros. Como a área construída é grande, a manutenção sempre se faz necessária.

“Temos salas, por exemplo, que estão com o forro danificado, gerando goteiras. Não podemos realizar nenhum tipo de atividade em dias de chuva. Então, para nós, toda ajuda é bem vinda para podermos dar um pouco mais de conforto a essas crianças e adolescentes que necessitam de nós”, concluiu Lucimara.