Unesp debate Segurança Alimentar e Nutricional

 

Evento reuniu alunos e professores dos cursos de Nutrição, Biologia, Zootecnia, Agronomia e Engenharia Florestal do câmpus da Unesp de Botucatu, com o objetivo de valorizar as plantas e produtores rurais que priorizam esta diversidade

 

Abordar questões que influenciam diretamente a formação do universitário e a colaboração no desenvolvimento da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Com este objetivo, o Instituto de Biociências de Botucatu (IBB) recebeu o 1º Seminário de Segurança Alimentar e Nutricional da Unesp de Botucatu. O evento reuniu 45 alunos dos cursos de Nutrição, Biologia, Zootecnia, Agronomia e Engenharia Florestal do câmpus da Unesp de Botucatu.

Integraram as discussões membros do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Botucatu (Comsan); os docentes da Unesp de Botucatu, Maria Rita Marques de Oliveira,  coordenadora da Rede Sans e Rede Viva Melhor, diretora técnica do Programa de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL); Lin Chau Ming, vinculado à Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) e especialista em plantas medicinais e etnobotânica. Complementaram os debates Cynthia Zanotto Salvador, engenheira agrônoma pela FCA/Unesp e Piero Felipe Camargo de Oliveira, vice-presidente da Associação de Produtores Rurais do Bairro Chaparral e Região também graduado na FCA.

Promovido pela Rede SANS, Grupo Timbó e da Executiva Nacional dos Estudantes de Nutrição (ENEN), o encontro centrou sua programação em análises sobre os conceitos de Segurança Alimentar e Nutricional; panorama do cenário alimentar no Brasil e sua relação direta com o agronegócio; conjuntura e perspectivas da alimentação e os caminhos viáveis para a adoção de uma alimentação sustentável.

Os participantes apresentaram pontos como o uso de transgênicos, agrotóxicos e agroquímicos, além de pequena avaliação da Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizado em Brasília no mês de outubro. Outro ponto frisado foi quanto às diferenças entre a Segurança Alimentar e Soberania Alimentar.

"São conceitos diferentes, resultados de processos históricos distintos. Segurança Alimentar é um conceito que tem acompanhado todos os movimentos sociais de busca de garantia dos direitos sociais no Brasil, entre eles o direito humano à nutrição e alimentação, o que acabou com a garantia destes direitos com a adoção de políticas públicas. Já a Soberania alimentar vem de um movimento campesino, de garantia de produção e consumo de pequenas comunidades e até de nações", explica a diretora técnica do programa Rede Segurança Alimentar e Nutricional da União dos Países da América do Sul (Rede SAN-Unasul) professora Maria Rita Marques de Oliveira.

Segundo ela, os temas relacionados tanto à segurança quanto soberania alimentar têm se tornado frequentes nas salas de aula devido a relevância na formação acadêmica e profissional dos universitários.  "Esse é um tema que ainda não está no currículo escolar da forma que deveria, mas a tendência é que ganhe cada vez mais espaço. Evento como esse traz para discussão mais de um curso e execita, mesmo na teoria, o interdisciplinar, o intersetorial e o "se" perceber como profissional pronto para uma interlocução entre as diferentes áreas do conhecimento, como a nutrição cohece a engenharia agronômica, a zootecnia", salienta profª Maria Rita.

Organizadora do evento, a aluna de nutrição da Unesp, Suelen Franco, explica que o intuito foi a abordagem multidisciplinar e fazer uma reflexão do que a Segurança Alimentar e Nutricional afeta diretamente na formação dos profissionais das áreas participantes do encontro. "Na ENEN discutimos questões de nutrição, como métodos na produção de alimentos e como isso afeta a vida da população. Em Botucatu se tem uma formação para a parte científica, para produção laboratorial, de artigos, etc.. Muitas vezes deixamos de lado essa área tão importante de onde vem o alimento e que abrange outros cursos como agronomia e engenharia florestal. A ideia de unir os demais cursos é para discutir", ressaltou.

Professor da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp de Botucatu, Lin Chau Ming, reforçou a necessidade da mudança dos hábitos alimentares, com a variação no consumo dos alimentos procurados pela população. Professor  Lin é especialista e desenvolve pesquisas relacionadas com plantas medicinais e etnobotânica.

"Há um aproveitamento irrisório do grande potencial alimentício que as plantas tem, em especial no Brasil. A população mundial está costuma fazer um consumo muito restrito de plantas, sendo que temos uma variedade muito grande. Basta ver que no Brasil há a maior detenção de variações vegetais e que se apenas 10% das plantas brasileiras possam ser consumidas, se perde este potencial. É um fator, a necessidade de se valorizar as plantas e produtores rurais que priorizam esta diversidade", reforçou o professor Lin.

 

Texto e fotos – Da Assessoria