Setor metalúrgico de Botucatu vive sua maior crise

“Em mais de 30 anos vivendo no sindicalismo, nunca presenciei um momento tão ruim como este no setor metalúrgico”. Foi esse o comentário do diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, José Carlos Lourenção, sobre as demissões em massa que estão ocorrendo na Cidade nas grandes empresas e o fechamento de pequenas empresas prestadoras de serviços. “E o mais grave é que não vejo uma luz no fim do túnel para melhorar essa situação”, completou destacando que estão ocorrendo demissões em massa nas indústrias da cidade.

Salienta que somente a Caio (foto) demitiu 150 funcionários e a previsão é que haja outras 50 demissões nos próximos dias. A Irizar também já demitiu 50.  Segundo ele, somente a Embraer não praticou demissão em massa nos últimos meses. “Se as grandes empresas estão vivendo uma fase ruim, as prestadoras de serviços estão fechando suas portas. Isso sem falar que muitas estão atrasando o pagamento dos funcionários e não estão recolhendo o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)”, alerta o sindicalista.

O presidente do sindicato, Miguel Ferreira da Silva enfatiza que a recessão no setor não está restrita a Botucatu. “Esta semana estive em uma reunião em Piracicaba com outros 60 presidentes de sindicatos de metalúrgicos do Estado de São Paulo e todos reclamaram da situação atual. “O crise é geral e está afetando todo nosso setor”, disse Silva, enfatizando que por ser ano eleitoral o empresariado não quer investir sem saber quem serão os governantes.

“Por isso a situação só vai se definir nos primeiros meses de 2015. A eleição é a principal responsável por essa recessão. Ninguém sabe o que vai acontecer e o empresariado não quer investir sem saber os planos que os governantes terão para o setor metalúrgico, antes de projetarem seus investimentos. Em eleições anteriores também houve recessão, mas foi muito menor. Este ano, porém, a situação é delicada e não sabemos o que poderá acontecer”, frisou o presidente.