Ricardo “Pancho”: O goleador do “Galo do Espigão”

Um dos esportistas e empresários mais conhecidos na cidade é, sem dúvida, José Ricardo “Pancho” da Silva, ou Ricardo da Igral como é conhecido. Ele se mantém há vários anos como um exemplo de vida no campo empresarial, mas no universo futebolístico foi um dos maiores jogadores que já vestiram a camisa 9 do Clube Recreativo do Bairro Alto, agremiação fundada pelo seu pai Olavo Thomaz da Silva. O time ficou conhecido como o “Galo do Espigão” e “Pancho” o pesadelo da defesa adversária.

Nascido em São Paulo, em julho de 1946, teve sempre sua vida relacionada ao esporte. Como seus pais trabalhavam no Estádio do Pacaembu, era comum o menino Ricardo acompanhar o pai em dias de jogos. Por razões que a própria razão desconhece, tornou-se sãopaulino, seu maior defeito para palmeirenses, corintianos e santistas.

Mudou-se para Botucatu, mas teve que se iniciar no campo de trabalho muito cedo. Ainda guarda ressentimentos por não ter dado prosseguimento aos estudos e não consegue esquecer uma grande decepção que teve quando saiu do primeiro grau e estava querendo ir para o segundo. “Eu fui impedido de estudar no segundo grau porque eu não tinha roupas adequadas para vestir. Eu era um menino, mas até hoje esse fato está gravado na minha memória”, lembra.

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Aos 13 anos vendia pirulitos pelas ruas da cidade para ajudar nas despesas da casa, mas aos finais de semana chegava a pular os muros dos estádios da AAB – Associação Atlética Botucatuense e AAF – Associação Atlética Ferroviária, para assistir aos jogos. Ainda na adolescência conseguiu um emprego na Gráfica Romani Mori e desse ramo nunca mais saiu.

Foi nessa época que o garoto Ricardo iniciou sua trajetória pelo futebol varzeano na cidade. Passou por várias equipes, entre elas, AAB, AAF e Clube Recreativo Bairro Alto, este último time do coração de quem foi jogador, artilheiro e quando abandonou o futebol foi técnico e teve vários cargos na diretoria, inclusive o de presidente.

“No Bairro Alto passei os melhores momentos de minha vida no futebol. Joguei, fui campeão e artilheiro várias vezes. Depois assumi como técnico da equipe e exerci cargos diversos até que cheguei ? presidência. Acho que conquistei no Bairro Alto tudo que um atleta almeja conquistar em sua equipe. Por isso meu amor por aquele time é muito grande”, comenta.

Além do futebol, Ricardo tem uma predileção especial por pássaros. Sócio fundador da AOB – Associação Ornitológica de Botucatu ele é bastante respeitado no meio, em razão da qualidade dos seus pássaros. “As aves são meu hobby e minha segunda paixão. Sempre que tenho um tempo de folga, gosto de ficar observando eles cantarem. Sou um criador preservacionista”, ressalta.

Proprietário da Gráfica Igral há várias décadas, Ricardo também é conhecido pelos atos que realiza para ajudar diferentes entidades assistenciais do município e até da região. Como Vicentino dedica parte de sua vida para assistir os mais necessitados. “Gosto de ajudar as pessoas. Sempre que sou procurado, dou minha parcela de contribuição, seja doando alimentos, seja na confecção grátis de material gráfico, seja para o que for preciso. Não tenho muito, mas reservo uma parte do que tenho, para dividir com os outros”, conta.

Por sua competência empresarial, Ricardo recebeu inúmeros prêmios de entidades como Câmara Municipal, CDL – Câmara dos Dirigentes Lojistas, Rotary Clube Norte, entre outras. Mas afirma que a homenagem que mais o encheu de emoção foi quando a diretoria da AAB lhe fez uma homenagem no jantar de premiação das equipes participantes do 12º Campeonato Suíço do clube, que levou seu nome.

“Realmente foi a maior emoção que eu tive na vida. Nunca vou esquecer esse dia. Estavam ali meus amigos, meus filhos, meus netos, minha família. Foram muitas congratulações e palavras de carinho”, lembra Ricardo. “Só por esta homenagem, já valeu a pena tudo o que fiz na vida”, concluiu o empresário.