Psicóloga realça vínculo entre mãe e bebê na relação

Carolina Sasso Lacase, psicóloga clínica especialista em arteterapia e em docência do Ensino Superior e que atua no atendimento de apoio à gestação e à maternidade, bem como no atendimento de adultos e idosos, terapia infantil e orientação profissional, faz uma relato sobre o vínculo existente entre mãe-bebê como fortalecimento de uma linda relação. Ela faz parte da equipe terapêutica da Clínica Trombini & Sartori Desenvolvimento Pessoal e Recursos Humanos.

Cita a profissional que foram nove meses de espera, um parto (que geralmente é um momento muito marcante) e um novo membro agora está presente na família. “Como o bebê não fala, como se comunicar com um serzinho tão pequeno e, aparentemente, tão frágil? É importante que se interaja com o bebê. Ele ainda não compreende o sentido das palavras, mas entenderá sua entonação e ritmo de voz ao dizer as frases. Sua expressão facial e seus gestos também mostrarão as emoções que você está sentindo e tentando passar a ele. E o toque tem essa mesma função: transmitir ao bebê emoções e sentimentos”, explica Lacase.

Ela reflete para que nos imaginemos no lugar dele, passando vários meses dentro do útero materno, num lugar quentinho e aconchegante e “de repente” está em um ambiente que ele desconhece, onde tem muito espaço, muita movimentação e muito barulho.  “Para reduzir essa angústia, a mãe tem um papel fundamental. Precisa transmitir segurança, conforto e confiança a esse novo ser”, explica a psicóloga.

Enfatiza que a amamentação, além de nutrir e saciar a sede do bebê, também o aconchega quando a mãe o envolve nos braços, o protege e, por ele estar perto da área do coração da mãe, o faz ouvir o ritmo do seu batimento cardíaco, que era um som semelhante ao que escutava quando estava no útero, deixando-o mais seguro. “Além disso, enquanto amamenta, é possível que a mãe faça carinho e o olhe em seus olhos, passando através desses gestos, todo o amor e admiração que sente por essa nova vida”, diz.

Outro detalhe citado por Carolina Lacase é estabelecer uma rotina. “Importante que aos poucos haja alguns horários e uma sequência constante de atividades para o bebê. Ele se sentirá mais seguro e tranquilo percebendo que todo dia as coisas acontecem praticamente da mesma maneira. Isso também gera menos ansiedade para a família que vai, gradualmente, se readaptando ao novo dia-a-dia”.

Observa que parece bobagem falar com um bebê porque se tem a impressão de que se está conversando sozinho, mas isso é essencial para que ele se sinta parte da família, para que vá entendendo as emoções e sentimentos (dele e das pessoas ao redor), para que consiga se comunicar mais adiante com facilidade e entenda o mundo em que vive.

“Explique o que está fazendo com ele (trocando a fralda, dando banho) e para onde o está levando (para o quarto, para a casa dos avós). Mostre e conte sobre quem está por perto, o visitando ou o carregando no colo. Parece irresistível falar agudo e “erradinho” com um bebê, porém é importante que se diga tudo corretamente, para que compreenda todas as palavras, vá assimilando-as e futuramente não precise ser corrigido em suas falas”, ensina.

Ela também realça que o toque é a forma mais autêntica de se dar carinho ao bebê. Aponta que é através da sensação do toque, sentida agora, que mais para frente à criança poderá expressar seu afeto através de afagos, abraços e beijos.

“Tocar o bebê com delicadeza o faz despertar seus sentidos, descobrir seu próprio corpo, se sentir seguro, protegido e amado.  Faça pequenas e leves massagens no corpo do bebê depois do banho, antes de dormir e na hora das cólicas ou desconfortos. Para isso, se pode passar óleos, cremes hidratantes adequados, no entanto o que é mesmo necessário é simplesmente sua presença amorosa e usar as mãos, dispondo seu tempo e sua atenção para esse momento único entre você e ele”.

Contudo, alerta a psicóloga, para conseguir efetivar essas dicas, é preciso estar relaxada e equilibrada para poder transmitir as emoções e sentimentos mais positivos a fim de construir e manter um vínculo saudável com o bebê. “Então, se estiver passando por instabilidades emocionais ou dificuldades por conta de muitas dúvidas e inseguranças (que é totalmente natural nesse período), recomenda-se procurar um profissional da saúde, como, por exemplo, um psicólogo ou um pediatra, para buscar acolhimento e orientação específicos”.