Estação ferroviária está sendo construída há 20 anos

Fotos: Valéria Cuter

O ferroviário aposentado Jairo José dos Santos, de 82 anos, desde julho de 1992, vem trabalhando no projeto de construção da antiga Estação Ferroviária de Botucatu, em miniatura. Todo o complexo cabe em um quarto de 16 metros quadrados.

O que impressiona nessa réplica da estação em miniatura são as riquezas de detalhes. Tudo está sendo feito, minuciosamente, de acordo com o que era a estação de Botucatu, centro referencial da malha ferroviária da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), entre São Paulo a Presidente Epitácio.

“Comecei esse trabalho por amor a estação e queria fazer igualzinho aos tempos áureos da ferrovia, que vivenciei. O trem era o principal meio de transporte de passageiros e cargas de São Paulo. Até hoje não consigo entender porque tudo isso foi esquecido, pois a ferrovia foi fundamente no desenvolvimento de São Paulo. Hoje para ver um trem passando pela linha férrea temos que ficar horas esperando. Sem falar que a malha é explorada por uma empresa particular que só transporta carga”, disse Santos.

Além de construir a plataforma de embarque e desembarque de passageiros, hall de entrada, bilheteria, saguão, sala de espera e o bar, o aposentado foi mais longe e criou os depósitos, o pátio de manobras e a oficina onde as máquinas passavam por reparos.

E Jairo Santos não parou por aí. Construiu também áreas que circundam a estação como o viaduto Arlindo Granado que separa o Centro da Vila dos Lavradores, o antigo prédio do Controle de Tráfico Centralizado (CTC), onde hoje está a Secretaria de Saúde e as casas dos ferroviários, onde mulheres são vistas sentadas na calçada fazendo tricô ou crochê.

“Além disso, todos os prédios da estação são iluminados. Parecendo uma Cidade, com trens indo nos dois sentidos passando pela estação onde estão os passageiros, ou fazendo manobras diversas no pátio. É como se fosse a estação de ontem funcionando do jeitinho que era”, diz o ferroviário.

Ele não fala em prazo para terminar sua obra arquitetônica em miniatura. “Cada ferroviário daquele tempo me lembra de algum detalhe e eu procuro fazer, usando os mais variados tipos de materiais. Essa estação já foi dada como terminada várias vezes, mas sempre tem um detalhezinho a mais para colocar”, diz.

A obra de Jairo Santos ocupa o espaço de um quarto da casa do também ferroviário aposentado Antônio Carlos dos Santos, o Nica, de 59 anos de idade, que como maquinista conheceu a estrutura da estação. “É tudo, perfeitamente, igual. Olhando o trabalho viajo no tempo e volto aos meus 20 e poucos anos e conduzo os trens pelos trilhos, revivendo aquela época”, conta Nica. O ex-maquinista faz um apelo. “Precisamos conseguir um espaço para criar o Museu Ferroviário e colocar essa réplica da estação para visitação pública, assim como mostrar fotos, histórias e peças originais que estão espalhadas e se deteriorando com o tempo. A ferrovia foi marcante na história de Botucatu e não podemos deixar isso cair no esquecimento”, concluiu Nica.