Comoção marca sepultamento da Maria Anna Moscogliato

A acadêmica sempre foi referência para todos quantos desejam iniciar uma pesquisa ou encontrar o caminho para achar um personagem, uma partitura musical, um veio cultural da cidade, seja ele qual for 

 

Um grande número de pessoas entre acadêmicos, autoridades, empresários, parentes e amigos marcaram presença no velório e sepultamento da vice-presidente da Academia Botucatuense de Letras (ABL), Maria Anna Moscogliato, para prestarem uma última homenagem. Ela morreu na tarde de quinta-feira, aos 88 anos de idade, foi velada no Complexo Funerário Orlando Panhozi e sepultada no final da tarde desta sexta-feira no Cemitério Portal das Cruzes.

Maria Anna era uma das mais queridas e carismáticas acadêmicas de Botucatu com uma extensa folha de serviços prestados, principalmente, nas áreas de educação e cultura.  Nasceu em Botucatu, era formada professora primária pela Escola Normal Oficial, aos 18 anos, passando a ministrar aulas de história e geografia no cursinho preparatório aos exames de admissão ao ginásio, então uma constante, dado à escassez de vagas para o Ginásio (atual segundo ciclo do fundamental).

Em 1951 começou a trabalhar na Delegacia Regional da Fazenda (antigo “tesourinho”), onde foi efetivada em 1954. Em 1970, com o fim da Divisão Regional Administrativa de Botucatu, sua repartição foi transferida para Bauru, onde veio a aposentar-se em 1985. Como falou ao Jornal Mulher, em matéria especial, de 12 de dezembro de 2008, “disponho de uma parte de meu tempo dedicando-me a colecionar documentos e retratos que se relacionam com  a história de Botucatu.”

Sua participação social continuava intensa: fez parte do Grupo Convivium de dona Elvira Marins (esposa do romancista e membro da Academia Paulista de Letras Francisco Marins), atuava no Centro Cultural de Botucatu (órgão fundado em 1942) como membro do Conselho Fiscal e foi empossada como membro Honorário da Academia Botucatuense de Letras.

Era o principal centro colecionador de imagens e textos de Botucatu. Sua casa sempre foi uma referência para todos quantos desejam iniciar uma pesquisa ou encontrar o caminho para achar um personagem, uma partitura musical, um veio cultural da cidade, seja ele qual for. 

Poesia

A morte de Maria Anna inspirou a também acadêmica e 2ª vice-presidente da Academia Botucatuense de Letras, Carmen Sílvia Martin Guimarães a fazer uma poesia em homenagem à colega.

 

A Partida de Maria Anna Moscogliato

 

Vá, Maria Anna, vá, querida professora,

Desça a rua Amando

E chegue a sua casa antiga, a da rua Curuzu.

“Inhá”, não tropece nos paralelepípedos

Que teimam em rasgar o asfalto.

A família aguarda você.

O Sarau a espera.

Há som de música italiana

Embalada pela modinha brasileira,

No ar sereno da noite botucatuense.

Poesia no Ar!

Vozes se cruzam.

Vizinhos a esperam. (Há muito a se conversar…)

 

Vá, Maria, viva esse momento do vívido reencontro,

Com a nitidez da visão

Daqueles que já ultrapassaram os limites terrenos.

No caminho, dê lembranças a todos, viu?!

Abraço na Elda, na Leda, na Dinorah, na Marina…

Beijo na testa do meu Patrono Hernâni.

Receba a bênção imortal de Dom Melhado, Dom Henrique, Dom Zioni, Dom Antônio…

Entregue nossa saudade a todos os acadêmicos da Academia Botucatuense de Letras

E aos botucatuenses que engrandeceram esta terra, como você.

 

Veja, Dona Maria, o caminho se ilumina

A cada passo que você dá.

Agora você pode se completar em “Maria”, a mãe do Menino Jesus

E em “Ana”, a avó de todos nós.

“- A tua fé te salvou”, dir-lhe-á o Menino.

 

Passei ontem, à noite, em frente a sua casa

( A casa da General Telles).

A casa estava toda iluminada,

Janelas abertas como na noite da última ceia de Natal

Que você ofereceu a seus familiares.

Família reunida, como você tanto gostava.

Ei, Maria Anna, olhe para o alto!

Você me escuta, hein???

Olhe bem!

É uma chuva que cai do interior do céu.

São todas as fotos que você colecionou!

São todas as preces que você proclamou!

São todas as histórias que você preservou!

São todas as vivências que você legou a Botucatu!

Que lindo!!!!!!!!!

Você merecia essa entrada solene.

(Eu diria, “esse entrudo celestialmente diferente”).

Ei, Professora querida,você me ouve???

…Ah…quão misteriosa é para nós essa surdez da passagem…