Unesp reintroduz papagaio-de-peito-roxo em Santa Catarina; Botucatu participa do projeto

Imagens ilustrativas

O papagaio-de-peito-roxo, espécie ameaçada de extinção, está sendo reintroduzido no Parque Nacional das Araucárias, no oeste de Santa Catarina. Entre as ações implementadas pelo projeto, que tem parceria com o Instituto Espaço Silvestre, está o trabalho de análises genéticas e educação ambiental da aluna de doutorado, Talita Roberto Aleixo de Almeida, do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu.

O objetivo do trabalho de Talita é subsidiar e ampliar as ações de conservação de Amazona vinacea (papagaio-de-peito-roxo) no Parque Nacional das Araucárias, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

O trabalho de análise genética consiste em avaliar o nível de diversidade entre as aves reintroduzidas, ou seja, diagnosticar as diferenças ou similaridades genéticas destes animais e o grau de parentesco entre eles.

Segundo a professora Adriane Pinto Wasko, do departamento de Genética, da Unesp de Botucatu, e orientadora da pesquisa, com as análises genéticas, será possível conhecer melhor a dinâmica dos casais soltos no Parque. “Ao analisar um filhote nascido em ambiente natural, temos a possibilidade de prever quais são seus possíveis pais. Além disso, também podemos auxiliar em programas de reprodução em cativeiro, com a escolha dos melhores pares genéticos, isto é, aqueles indivíduos que apresentam menor grau de parentesco”, explica.

Os animais avaliados geneticamente são oriundos do tráfico ilegal e foram apreendidos pelos fiscais da Polícia Ambiental ou do Ibama, na região sul do país. Posteriormente, estes animais foram levados para o responsável pelo projeto de inserir o papagaio-do-peito-roxo no Parque. Até o momento, foram reintroduzidos 83 papagaios em quatro solturas. A primeira ocorreu em janeiro de 2011, onde 13 animais foram soltos; a segunda, em setembro de 2012, com 30 aves soltas; a terceira, em junho de 2015, com 33 animais libertados; e na quarta, em março de 2016, sete aves foram soltas.

Para o estudo de diversidade genética, os pesquisadores do Instituto Espaço Silvestre enviaram amostras de sangue dos papagaios para a Unesp de Botucatu. Na unidade, foi realizada a extração de DNA das amostras e o DNA isolado foi submetido a uma metodologia chamada PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) que gera diversas cópias de segmentos de DNA que se deseja analisar.

A PCR gera informações sobre os genótipos (constituição genética) dos animais. Alguns programas computacionais específicos também foram utilizados para avaliar a diversidade genética das aves. As análises ainda estão em desenvolvimento. A previsão é que se tenha todos os resultados no início de 2018.

Educação Ambiental

Talita também desenvolve trabalho de educação ambiental em escolas localizadas na cidade de Passos Maia e Ponte Serrada, no Estado de Santa Catarina. Essas cidades foram escolhidas por estarem próximas ao Parque Nacional das Araucárias, onde os papagaios-de-peito-roxo foram reintroduzidos.

“As atividades que realizamos estão voltadas para a elaboração e distribuição de materiais didáticos lúdicos, como cartilhas e álbum de figurinhas, de forma que sejam abordados os aspectos da biologia do papagaio-de-peito-roxo e os mecanismos que levaram a espécie ao risco de extinção, incluindo conteúdos de genética e ações para sua conservação”, explica a pesquisadora. Os materiais serão distribuídos para alunos do ensino básico, professores e para a população local.

A pesquisa tem financiamento da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e conta com a colaboração da professora Flavia Torres Presti, do Instituto Federal do Paraná.