Violeiros “4 Cantos” se apresentam em Botucatu

Quatro violas, quatro vozes e quatro estradas. São esses os adjetivos dados ao  Projeto 4 Cantos, com os violeiros Cláudio Lacerda, Luiz Salgado, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira, que  se apresentam nas Oficinas Culturais (antigo CAC), no Cine Teatro Nelli em Botucatu , no dia 25. Já em Avaré, a apresentação ocorrerá no dia 24. As entradas são gratuitas.

O 4 Cantos é um projeto cultural realizado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural, da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo).  Embora usem  violas como instrumento, o som não é exatamente caipira, embora existam influências. Nem exatamente folclórico, embora existam influências. Nem exatamente guarani, fronteiriço, embora existam influências. Nem exatamente regional, essa denominação que, apesar da tentativa de ser específica, acaba se revelando uma definição vaga demais. Talvez, como o sertão de João Guimarães Rosa, mineiro na gênese e infinito na chegada, as melodias aspirem ao universal.

Os músicos mais do que oferecer ao público uma oportunidade para rotulá-los, algo que a indústria fonográfica e a crítica ainda não conseguiram, buscam, como “quatro rios que se encontram, misturando suas águas”, junto da plateia, somar “suas alegrias” e compartilhar “suas mágoas”. Afinal, a música do interior – do País e da alma – sempre celebrou momentos de amizade e exteriorizou a angústia do entardecer no campo, hora de solidão e nostalgia.

 “Nestes eventos (prosas-show), como o próprio nome já diz, nós conversamos com o público e executamos algumas das nossas canções. É um momento de contato, em que nós respondemos a perguntas, saciamos curiosidades, contamos ‘causos’, essas coisas. Falamos também sobre nossas pesquisas culturais e sobre o projeto 4 Cantos”, explica Rodrigo Zanc. “Muitas vezes, vira um grande bate-papo, permeado pelo estalar das cordas e gorjear das vozes”, brinca.

Para Cláudio Lacerda, o 4 Cantos não se limita a exibições. “Trata-se de um projeto cultural. E aproximar o público da arte e do universo artístico é um dos objetivos”, diz Lacerda. “Nessas prosas-show, há desde gente interessada em conhecer instrumentos, principalmente a viola, até gente que deseja debater os processos de criação”, comenta Wilson Teixeira.

“A palavra-chave é encontro. Também nós nos encontramos, vindos de estradas diferentes, e construímos um caminho. Dividir essa diversidade de origens e essa unidade de propósito com o público, em encontros diretos, feitos de proximidade, é uma maneira de trazê-lo para a nossa jornada”, completa Luiz Salgado.