Grupo quer evitar a dissolução do Taenca

Um grupo de pessoas ligadas a diferentes segmentos sociais de Botucatu está batalhando contra a extinção do Teatro Amador da Escola Normal “Dr. Cardoso de Almeida” (Taenca), que por muitos anos, apresentou os mais diferentes espetáculos teatrais, trazendo para Botucatu renomados atores, desde sua fundação em março de 1951. Ao Taenca pertence o prédio onde funciona o Cine Neli, região nobre da Cidade, mas a atual diretoria quer sua dissolução. Se isso acontecer o prédio deverá ser entregue ? Prefeitura Municipal e incorporado ao patrimônio público.

Atualmente, o presidente do Taenca é Pedro Sansão, sendo vice-presidente, Valter Carrega; patrimônio José Armando Pescatori, secretário Paulo Jesuíno, tendo no jurídico o advogado Samir Daher Zacharias. Tem 18 membros com direito a voto e a maioria poderia evitar uma possível dissolução. “O que queremos é evitar que um patrimônio cultural da cidade seja extinto. Isso poderá acontecer se a sociedade não se mobilizar”, alerta João Aguiar um dos sócios.

A diretoria colocará a dissolução do Taenca em votação prevista para acontecer as 9h30, no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subsecção de Botucatu, na Praça XV de Novembro, nº 30, região central da Cidade. “As pessoas que tiverem interesse em manter vivo esse patrimônio cultural poderá se deslocar até o local de votação e nos ajudar. O Taenca é um patrimônio de Botucatu e deve ser preservado”, disse Aguiar.
A idéia desse grupo que quer impedir a dissolução do Taenca é realizar uma grande campanha de adesão de novos sócios e aí sim discutir o futuro dessa entidade cultural da cidade. “Acredito que a gestão da cultura não deve apenas ficar restrita ao poder público. Entidades privadas também podem e devem fazer este papel. Vejam o exemplo dos pontos de cultura espalhados por todo o país. A partir de uma gestão privada, com apoio do poder público, eles têm sido extremamente importantes e podem ser considerados casos de sucesso”, prega.

Lembra que o Taenca foi criado em Botucatu em março de 1951e dia 30 de setembro do ano seguinte foi protocolado um ofício junto ao Cartório de Registro Geral da cidade – 1ª Circunscrição, solicitando o registro do estatuto da entidade. Tinha início aí uma história de luta e trabalho em prol da cultura botucatuense, com a finalidade de “incentivar e desenvolver a arte teatral e musical em nossa cidade” transformou-se em realidade.

Posteriormente, feito uma campanha para que o Taenca tivesse sede própria, um teatro que fosse propriedade daquele grupo, que se concretizou com um acordo com a Empresa Teatral Peduti, uma das principais distribuidoras de filmes em nosso país e que tinha sede em Botucatu. Assim, a empresa entrou com os recursos necessários para que o teatro fosse finalizado, bem como ficou responsável pela aquisição do mobiliário.

Como contrapartida a empresa poderia explorar o espaço com a abertura de uma sala de cinema, sendo que algumas datas a cada mês seriam reservadas para apresentações teatrais. Assim, Botucatu ganhou um belíssimo cinema para os padrões da época, bem como um teatro de excelente qualidade.

O acordo funcionou bem por muitos anos e não somente o Taenca, mas vários outros grupos teatrais da cidade passaram a utilizar o espaço do Nelli. Inúmeras montagens foram realizadas e etapas do então Festival de Teatro Amador do Estado de São Paulo tiveram com palco o Nelli, especialmente durante a década de 60 e início dos anos 70. Também o Taenca e o Nelli foram palcos de resistência ? ditadura militar, em uma época tão difícil de nossa história.

Vários jovens que aqui se apresentaram como amadores, posteriormente vieram a exercer um papel de destaque no cenário teatral nacional, como Márcio Aurélio, Carlos Alberto Sofredini, Paulo Betti, Paulo Jordão, Alcides Nogueira, este último botucatuense e integrante do Taenca, Lima Duarte, Walmor Chagas, Cláudio Correa e Castro, Fernanda Montenegro, Marília Pera, Umberto Magnani, Denise Del Vecchio e tantos outros.

Foto: Valéria Cuter