Fatos e relatos da vida: Um presente do dia dos namorados

Naquela época um dos presentes mais gostosos de ganhar era ter um namorado, alguém que te levava para conhecer a família de mãos dadas, e que tivesse a coragem de dizer pro seu pai com cara de bravo: “posso namorar sua filha?” ou você me dá a mão de sua filha em namoro?

Quase tudo discretamente, lembrando-se de alguns longos anos atrás, se você é desta época como eu, por favor, me entenda qual o melhor presente para quem não encontrou ainda sua alma gêmea? “um namorado (a)”

         Bom um presente que é inesquecível, é com certeza aquele que você não ganha, certa vez aconteceu algo bem melancólico, acreditando que o amor ainda pode ser possível, bem lá longe numa terra distante onde o mundo não existe guerra, destruição de almas, onde a paz reina, neste lugar pode sim existir o amor. Na época de adolescente eu pensava assim, vamos ao presente que não ganhei: “uma faca”.

         Solicitei uma faca pro pretendente, acreditem se quiser ele nunca mais voltou me procurar, olha não sou agressiva nem nunca usaria a faca pra fins que não fosse simplesmente pegar uma bela parte do salmão e fatiar para saborear um sashimi, então antes de explicar que fui uma sushi girl, ou algo parecido ele me olhava assustado, e me questionou: “Nossa, todas as garotas que eu conheço pedem uma bolsa, uma sandália, uma roupa, até mesmo perfume importado, você quer uma faca?

 Eu fiquei corada, seria uma garota anormal pensei calada, e enfim olhando a cara do rapaz, sorri como quem diz “estava brincando” não deu tempo de explicar, ele começa o charme: – Quer dar uma volta no Shopping? Levo numa loja você escolhe uma roupa legal, ou ainda uma bijuteria, que tal sábado?

         Eu detestava passear no shopping, já trabalhava lá a semana toda, e ainda no fim de semana depois de um dia exaustivo, ás vinte horas, comprar roupas, pensava comigo, e finalmente para resolver a situação expliquei: – A faca, é uma faca japonesa, de cabo de madeira com ideogramas inscritos de preferência com meu nome em katakaná pois sou brasileira, e com ela farei sashimi, com um prato decorativo, e do mais ainda você será o primeiro a saborear. Argumentei, só deixei a parte que a faca era bem mais cara do que uma bijuteria ou uma blusinha do shopping.

 Acredito que ele me achou uma extraterrestre, nunca deveria ter comido peixe cru, nem sabia o que é katakaná (escrita japonesa), muito mesmo gostava disso tudo, quando disse que podia ser importada, sei lá é como se tivesse perdendo o gosto até de conversar comigo, é realmente nunca mais eu vi aquele pobre rapaz, será que ele ainda ia me pedir em namoro no tal passeio que não aconteceu, bem na época do dia dos namorados, junho, mês de inverno.

         Hoje meus presentes são variados, já faz onze anos que namoro o mesmo homem e a cada ano ele me surpreende, tem anos que nem lembro mais do presente, porém quem sabe ele ainda me dá essa tal “faca” um presente no dia dos namorados ou leia esse artigo antes de ser publicado.

 

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