Comemorar o quê?

A indústria automobilística comemorou nos últimos dias a redução do IPI e a quedas nos valores dos veículos. O fato foi tão marcante para o setor, que acabou se transformando em matérias jornalísticas nos principais veículos de mídias do país.

Mais uma vez a natureza foi colocada de lado e de novo o ser humano passou a se preocupar com o bolso, deixando o semelhante ao segundo plano.
No ano que estamos próximos da RIO+20, já que os problemas ambientais são sérios e preocupantes, fomos obrigados a assistir rostos felizes nas telas de TV, radiantes por poderem adquirir veículos até 20% mais em conta.

A situação ambiental está cada vez mais crítica. Os níveis de dióxido de carbono vêm se acumulando na atmosfera e o efeito estufa aos poucos vai ganhando força. De mãos dadas com este problema, temos um trânsito caótico nos principais meios urbanos, acompanhado por mortes, ora provocada por acidentes, ora por brigas banais entre motoristas enfurecidos. Os níveis de stress e a adrenalina estão ? flor da pele e muitos não conseguem controlá-los.

O correto seria o governo andar em direção contrária ? realidade atual. Deveríamos ter leis que limitassem o número de carros por família, que proibisse a troca dos mesmos em até três anos de uso e principalmente incentivar a locomoção por bicicleta, único veículo ecologicamente correto nos dias atuais.

Sabe quando isso vai ocorrer? Nunca.
O interesse na esfera capitalista é muito grande e criou-se uma cultura materialista, onde carros e outros objetos eletrônicos são sinônimos de status e poder.

Não temos nenhum tipo de preocupação com o meio ambiente e as indústrias, em diversos ramos setoriais, fazem suas chaminés soltarem fumaças a “pleno vapor” 24 horas por dia, num ritmo frenético e alucinante.

Um dia, com certeza, pagaremos caro por tudo isso. Algumas feridas desse câncer já estão abertas e se mostram cristalinas aos nossos olhos.

As estradas que tinham por objetivo encurtar as distâncias se transformaram em carnificinas banhadas em sangue. O carro, que foi inventado para facilitar a vida, hoje é uma máquina responsável pelo ódio e marasmo das grandes cidades. Se você comete um erro no trânsito é ofendido e humilhado e corre o risco do outro motorista revidar com tiros ou facadas.

Isto é modernismo? Foram por estes motivos que os homens criaram as máquinas a seu favor?

Um dia iremos parar no tempo e refletir sobre montanhas de lixos eletrônicos, quais as verdadeiras vantagens da dependência tecnológica.

Quando nossos netos formarem filas para mendigarem um copo de água e nossas bisnetas precisarem vender o corpo para matar a sede, provavelmente será tarde para retornar. Não haverá lágrimas que possam aplacar a dor. As máquinas não vão matar nossa fome e os carros não servirão para nos levar a um mísero lugar de paz e reflexão, pois as florestas serão escassas e pertencerão a poucos.

Assim como as árvores, nossos pulmões pedem socorro. A fumaça do cigarro ou das chaminés enfurecidas não pode parar. Mas nós podemos contribuir com o meio ambiente sem se preocupar com o bolso.

Basta um único lampejo de consciência e poderemos tem um mundo melhor. Pelo menos assim esperamos.