A trágica Olimpíada

Os atletas brasileiros fazem o que podem, se esforçam, chegam a competir machucados, mas quando chega a hora “H”, vem a decepção. Contamos nos dedos as medalhas de ouro e prata e vibramos como crianças com as escassas medalhas de bronze. O Brasil é assim: Numa Olimpíada conquistamos 15 trunfos, em outra poderemos conquistar mais ou menos a mesma marca e assim, se conformamos com a vergonhosa classificação geral, sempre abaixo do 20º posto.

Culpa dos atletas? Claro que não! Nossos representantes são valorosos e honram a camisa que vestem. Percebemos em suas expressões a vontade e gana da vitória e o desejo de cantar o hino nacional no posto mais alto do pódio.

A culpa é, exclusivamente, governamental. Nossas autoridades políticas têm má vontade de investimento e não incentiva ninguém. Se existe alguma soma de dinheiro que é levantada para a equipe olímpica, provavelmente deve ficar pelo caminho, nos bolsos de vários corruptos.

Não adianta o governo ficar nos iludindo com propagandas lindas e maravilhosas como da Caixa Econômica e Petrobrás, pois de boas intenções o inferno está cheio.

Os atletas não precisam de esmolas somente no período olímpico. O que precisa ser feito é um projeto de formação de novos competidores a partir dos 5 anos de idade como acontece na China. Essa formação consiste em selecionar certo número de crianças e trabalhar com elas e suas famílias, incluindo incentivos salariais que duram a vida toda.

Na China é assim que funciona. O governo escolhe várias crianças que passam por uma seleção e a partir do momento que elas são selecionadas, passam a dedicar-se integralmente aos treinos e estudos. Se houver correspondência, a família do menor passa a receber um salário mensal e algumas regalias, pois aquela criança está se preparando para defender o país e faz parte integral deste. O resultado só poderia ser o que estamos acostumados a ver. A China sempre fica ou em 1º ou no mínimo em 3º lugar nos jogos. Não sei como funciona o sistema nos Estados Unidos, mas provavelmente deve ser algo parecido com o projeto chinês.

É uma vergonha nacional e chega a dar raiva, assistir aquele comercial, muito bonito é verdade, mas ridiculamente mentiroso e ilusório, onde mostram atletas se esforçando e uma música linda fica tocando de fundo, com mensagens escritas informando que foram investidos não sei quantos milhões e patati patatá, e papo furado daqui e papo furado de lá.

Cadê o investimento? Duas ou três medalhas de ouro é muito pouco para o muito que ficam nos iludindo com propagandas mirabolantes.

Está longe deste país se transformar em potência olímpica, por que a visão do povo é muito limitada e sem nexo. Aqui, se mata em nome de clubes de futebol e se faz festas incríveis, quando um destes conquista um título.

O Brasil é o país onde as pessoas se reúnem e varam a noite tomando cerveja e falando de futebol. É cômico, realmente, muito cômico, os canais de televisão darem closes em torcedores desesperados, ou pelo triunfo ou pelo resultado negativo de seus respectivos clubes. O fanatismo do brasileiro pelo futebol é motivo de piada em vários países europeus.

Como incutir na cabeça dessas pessoas que uma prova de natação é tão importante (ou mais) que um jogo de futebol? Como convencer um torcedor fanático e, consequentemente, limitado intelectual, que uma prova de ginástica artística eleva a moral do país lá fora?

Vamos sediar as olimpíadas de 2016, mas, infelizmente, o gosto amargo de coadjuvante vai continuar. O Brasil pode realizar uma linda abertura, administrar uma bem organizada competição e fazer uma festa de encerramento inesquecível, mas iremos continuar sempre no pelotão de trás, sem muita expressão.

Devemos “tirar o chapéu” aos atletas que conseguem simplesmente competir numa prova olímpica, pois são realmente heróis de um povo que em quase sua totalidade, não merece nenhuma gota de suor derramada por estes competidores.