“O SHEIK” ( 1921 ) E O “FILHO DO SHEIK” ( 1926 ) – Rudolph Valentino

Todo cinéfilo que se preze assistiu a pelo menos um filme mudo, seja do Charles Chaplin, do Gordo e o Magro, entre outros. Admito, não é fácil, ainda mais para quem está acostumado as películas 3D atuais, assistir a um filme sem som envolvendo atores com gestos exagerados e música dramática.

No último final de semana, tive o privilégio de ver dois clássicos do cinema mudo: “O Sheik” e o “Filho do Sheik”, ambos protagonizados pelo ícone do cinema e “sex simbol” dos anos 20 ( sim…eu falei anos 20…portanto ídolo não da minha vó, mas da minha bisavó…): Rudolph Valentino, também conhecido em alguns países como Rodolfo Valentino.

“O Sheik” é um filme de 1921 e conta a história do Árabe Ahmed Bem Hassan ( Valentino ) que seqüestra uma lady chamada Diana ( Agnes Ayres ) e, durante o cárcere, acabam se apaixonando. O filme foi um “estouro” de bilheteria na época e, definitivamente, marcou a carreira de Rudolph Valentino como o “latin lover” de sua geração.

Valentino também filmou outros sucessos na sua carreira como “Sangue e Areia” e “A Águia”, mas o ator ficou tão marcado pelo estereótipo árabe que, a pedidos, fez “O Filho do Sheik”, em 1926, que, na verdade, é uma sequencia de “O Sheik”. Neste longa, Valentino interpreta o papel de pai e filho, mas o enredo é quase o mesmo: o Sheik seqüestra a bailarina Yasmin ( Vilma Bánky ) e se apaixonam no deserto.

Muitos podem questionar: porque assistir a um filme com o mesmo protagonista, enredo parecido e ainda por cima sem som?
Fácil. Primeiro, por curiosidade. Segundo, para ver a evolução do cinema.

Assistir a “O Sheik” e o “Filho do Sheik” é ver como em todos estes anos a sétima arte evoluiu. O que antes era preto e branco, mudo, hoje é colorido, com efeitos sonoros e até 3D. Quando os filmes ainda não possuíam som, apenas música, os atores se valiam de gestos e expressões exageradas para evidenciar a dramaticidade de uma cena. Valentino em “O Sheik” chega a ser até caricato com performances que incluíam olhos arregalados e sorrisos exagerados, choros convulsivos…em algumas cenas suas expressões são tão exageradas que é difícil segurar o riso, já em “O Filho do Sheik” Valentino já ameniza suas expressões e interpreta de forma mais suave mostrando que foi uma grande ator da sua época.

Ver estes dois filmes mudos é ver o caminho que o cinema teve que trilhar até atingir o patamar tecnológico dos dias atuais, bem como seus atores e atrizes.

Rudolph Valentino foi o Brad Pitt, o Johnny Deep dos anos 20, ou mais ainda, pois a idolatria a ele era tão exagerada quanto a atuação dos atores do cinema mudo. Valentino morreu jovem, em1926, aos 31 anos de idade. “O Filho do Sheik” foi seu último filme. Sua morte causou histeria em massa, reza a lenda que mulheres cometeram suicídio, houve vandalismo…um verdadeiro drama…típico dos anos 20.

Para quem tiver a oportunidade de assistir “O Sheik” e o “Filho do Sheik”, aproveite. Não é sempre que podemos assistir filmes que fizeram parte do início do cinema. Com suas peculiaridades, o dois filmes são “clássicos dos clássicos”.

Mas lembrem-se: assistam se divertindo…afinal, são filmes da época de nossas avós…minto…das nossas bisavós….

{n}Érika Svícero Martins França
Jornalista – MTB 28.063

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