Sindicato e empresas de ônibus não chegam a um acordo

Na manhã desta terça-feira (17) sob a intermediação do auditor fiscal do Ministério do Trabalho de Bauru, os gerentes das empresas concessionárias Sant´Anna e Stadtbus, Antônio Paula Ruiz e Jeferson Mattos, respectivamente, que exploram o transporte coletivo urbano em Botucatu, estiveram reunidos com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Manuel, Geraldo Naves.

O assunto foi o dissídio coletivo para definir o reajuste dos salários dos cobradores e motoristas de Botucatu e o sindicato não aceitou a proposta inicial das empresas de 4,88%. A reunião foi marcada para tentar um acordo que atendesse as expectativas de ambas as partes.

Inicialmente, o sindicato abriu as negociações pedindo um percentual de 30%, proposta considerada irreal pelos representantes das empresas. Depois abaixou para 24%, que também não foi aceita. A última oferta do sindicato foi de 13%. Como as empresas não aceitaram, a reunião foi encerrada sem que o acordo fosse selado.

“Tentamos explicar ao presidente (do sindicato) que as tarifas estão no mesmo patamar desde junho do ano passado e em julho tivemos o dissídio coletivo que reajustou os salários. Nesse período o combustível subiu assim como as peças de reposição dos carros. Não podemos fazer loucura e sabemos até onde podemos chegar. Oferecemos 4,88%, mas poderíamos negociar esse valor, mas não a esse ponto. O que o sindicato pede é irreal”, diz Antônio Ruiz.

Sobre uma possível greve ele foi taxativo. “O sindicato pode deflagrar uma greve, mas terá que arcar com as consequências dela. O que não podemos fazer é dar um aumento nesse percentual. Vamos aguardar e ver qual será o parecer do Tribunal Regional o Trabalho (TRT). Nossa expectativa era chegar a um acordo, mas não foi possível”, lamentou Ruiz.

O advogado do sindicato, Márcio de Paula Assis, salientou que nas próximas horas deverá entrar com um edital de convocação de uma assembléia junto ao TRT para que os funcionários das duas empresas decidam o que querem fazer.

“O edital já está em fase final de conclusão e acredito que amanhã (hoje) daremos entrada no TRT, mas uma greve só será deflagrada se for esta a vontade dos funcionários, votada em uma assembléia geral que é soberana e o que for decidido será feito. Não será o sindicato que irá optar pela greve e sim os próprios funcionários que estiverem insatisfeitos com a proposta oferecida”, justificou Assis. “No caso de uma greve, será mantido em operação os 30% da frota, de acordo com o que determina a lei”, finalizou.