Incubadora de Botucatu passa por reformas

O termo “incubadora” nasceu para designar espaços que proporcionavam as condições ideais de temperatura e umidade para o desenvolvimento do embrião e nascimento de aves. No caso de Márcio Pontes Ribeiro, proprietário da MegaWip, especializada na produção de chicotes elétricos para a indústria, a situação é bem semelhante. A empresa está preste a concluir o período de estruturação que adquiriu na Incubadora de Empresas de Botucatu. “Nascemos, mas agora precisamos voar”, afirma.

Há cerca de dois anos, o “voo” da empresa do Márcio estava comprometido. Com sérios problemas operacionais e o desligamento da PARQTEC de São Carlos, contratada para gerir e operar o projeto, o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial de Botucatu quase fechou as portas.

Mas acreditando no velho chavão “a união faz a força”, os incubados mostraram ao Poder Público local e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) que o trampolim estava nas mãos deles mesmos. Assim foi criada a Associação para o Desenvolvimento Empresarial e Tecnológico de Botucatu e Região (Adet) formada por nove empresas da Cidade.

Com a colaboração financeira dessas empresas e da Prefeitura de Botucatu, os primeiros procedimentos foram tomados. O telhado, que sofria com goteiras em épocas de chuva, foi totalmente substituído. A parte elétrica também sofreu reparos, como também os revestimentos internos e externos do imóvel.

“A Prefeitura também nivelou e pavimentou o estacionamento e a parte de traz utilizada para o descarregamento de caminhões. Também investimos em telefonia e câmeras de segurança, um ar condicionado para a sala de reuniões e na elaboração do nosso site na internet. Queremos agora reformar os boxes onde ficam as empresas incubadas e criar uma incubadora no Distrito Industrial”, pontua Luiz Carlos Devienne, tesoureiro da Adet.
No entendimento de Antonio Carlos Stein, secretário adjunto da Indústria, e Edison Baptistão, diretor regional do Ciesp Botucatu, esse novo modelo de gestão é o que tem mantido viva a incubadora de Botucatu.

“Ver um projeto que pensamos há 15 anos ainda em pé é muito gratificante, principalmente com essa gestão de empresas associadas. A Incubadora é fundamental para o desenvolvimento econômico da nossa Cidade visto que muitas empresas que hoje estão consolidadas no mercado nasceram aqui”, comenta Baptistão.

“O sucesso desta incubadora pode ser resumido nas palavras cooperação e liderança daqueles que se articularam nas soluções para melhorias e crescimento dessas pequenas empresas. E o que for preciso, o Poder Público estará presente para ajudar”, completa Stein.

Com este suporte, Márcio Ribeiro não tem dúvidas que sua empresa, ao sair da incubadora, irá decolar. “Temos 13 funcionários e uma carteira de clientes formada com potencial de crescer muito mais. Se não fosse essa estrutura encontrada aqui na Incubadora, dificilmente sobreviríamos lá fora”, afirma.

{n}Riscos e novas ideias{/n}

Essa sobrevivência no mercado cada vez mais competitivo não fica na teoria. De acordo com Silvia Furio, gerente do escritório regional do Sebrae Botucatu, mais de 90% das empresas que passam pelo sistema de incubadora sobrevivem. “O Sebrae oferece consultores de finanças, marketing, qualidade, custeia parte da orientação tecnológica e principalmente auxilia na preparação do plano inicial, que é a base de qualquer empresa bem sucedida. Sabemos que o brasileiro tem o empreendedorismo na veia, mas quando isso é feito de forma organizada os riscos desta empresa fechar a porta são reduzidos ao máximo”, orienta.

Riscos não fazem parte do dicionário de Edson Luiz Bernardo, que chegou na Incubadora de Botucatu em outubro deste ano. A ideia da BSX-Recycle é reaproveitar os componentes de lâmpadas e fornecer ao mercado interessado.
“Pegamos as lâmpadas, fazemos seu descontaminamento, reaproveitando tudo. Revendemos o vidro ? s empresas de cerâmica e usinas de asfalto, o pó de fósforo para a indústria de verniz, o alumínio para quem trabalha com metais, e até o mercúrio, produto caro no mercado, é reutilizado. Em seis meses, queremos estar trabalhando com 60 mil lâmpadas/mês, ou seja, em pouco tempo o espaço da incubadora vai ser pequeno, infelizmente por um lado, mas felizmente por outro já que queremos alçar voos mais altos”, garante.

{n}Sobre a Incubadora de Botucatu {/n}

Instalada na Rua Joaquim Lyra Brandão, 1.120 – Vila São Benedito a incubadora de Empresas de Botucatu, inaugurada no dia 28 de novembro de 1997, tem como intuito apoiar as micros e pequenas empresas em seu estágio inicial de implantação, desta forma, reduzindo a possibilidade de fechamento prematuro. Além disso, promove a geração de produtos e processos inovadores e aproxima e interage com as universidades e escolas técnicas em busca de novos projetos, conhecimento e parcerias.

Este tipo de apoio que é fornecido abrange o espaço físico, infraestrutura básica, assessoria e consultorias especializadas, visitação e exposição em feiras, suporte e pesquisa em projetos novos, entre outros benefícios. Essa estrutura é possível graças ? colaboração dos parceiros envolvidos no projeto de incubação: Sebrae, Ciesp e Prefeitura.

O prédio, cedido pelo Ciesp, tem aproximadamente 1.250 m², com dez boxes de 80m² cada. As empresas incubadas têm acesso a serviços de secretaria com telefone PABX, fax, internet wireless, sanitários, refeitórios, sistema de monitoramento 24 horas e sala de reuniões.

A taxa de ocupação é de R$ 440, valor relativamente baixo caso o empresário optasse por alugar, comprar ou construir um espaço próprio para a empresa, com toda essa estrutura, fora da Incubadora.

A maioria dos recursos financeiros necessários para a manutenção, implementação, adequação e divulgação são provenientes da Prefeitura de Botucatu, associados e colaboradores da Adet. Os custos mensais como água, telefone, limpeza, materiais de escritório e pequenas manutenções são rateados entres as empresas incubadas.

Para fazer parte da incubadora, o interessado deve apresentar um projeto com sua viabilidade técnica e financeira para iniciar o empreendimento em sua fase de pré-incubação. Empresas que passaram pela incubadora podem continuar a receber apoio no seu processo de renovação; adequação de Planos de Negócios, desenvolvimento do Pano de Marketing, elaboração de propostas e projetos para fontes especiais de financiamento, captação de investimentos e atração de investidores.

Os resultados alcançados durante 15 anos de funcionamento são expressivos. Trinta empresas já receberam esse apoio e hoje funcionam em sede própria, as quais juntas geram aproximadamente 300 empregos diretos na Cidade. Atualmente, sete empresas estão em operação dentro da incubadora.

Em setembro de 2005, a incubadora recebeu uma premiação de âmbito nacional da ANPROTEC, como o melhor projeto de incubação do país devido aos resultados alcançados desde sua fundação.