Feira da Catedral permanece em atividade ha décadas

Fotos Valéria Cuter

 

A feira livre mais tradicional da cidade e que há décadas se instala às quintas-feiras na Avenida Santana, em frente Catedral Metropolitana de Botucatu, região central da cidade e mantém acessa essa tradição. Nesse dia, antes do amanhecer, os feirantes, todos devidamente cadastrados, chegam e montam suas barracas. Depois tomam o café e, pacientemente, esperam o dia clarear para atender a clientela.

O interessante é que a maioria dos feirantes já tem a freguesia certa. Ou seja, já trazem os produtos encomendados na semana anterior. E os consumidores nem procuram pesquisar preços ou observar a qualidade de outros produtos. Só vão onde estão acostumados a comprar toda semana. Simplesmente, ignoram outras barracas.

Mas nem todos os consumidores são assim. Existem fregueses que, antes de efetuar suas compras, perambulam pelos corredores da feira, especulando preço e observando os produtos que estão sendo oferecidos. Assim é a dona de casa, Ester Marina Do Carmo, de 50 anos e que há mais de 40 anos freqüenta a feira da Catedral.

“Para mim a quinta-feira é sagrada. É dia de feira. Venho aqui nem que seja para comprar só um pé de alface. Já me acostumei com isso. Passeio pelas barracas, observo os produtos que estão oferecendo e faço as compras. Eu não compro nada de cara. Depois, como o meu pastel de carne e vou embora”, conta a mulher.

Já o comerciante aposentado Eugenio Ferreira da Costa, de 60 anos, procura sempre o melhor preço. E não tem vergonha de pechinchar. “Aqui a gente tem mesmo que saber pechinchar. Às vezes venço o vendedor pelo cansaço. Já fui vendedor e sei bem como é isso. A gente não tem muito dinheiro, por isso é preciso gastar bem e comprar um pouco de tudo, mas sei que dou trabalho para os vendedores”, reconhece Costa.

Mas são, também, freqüentadores da feira aquelas pessoas que só chegam quando os feirantes estão desarrumando suas barracas para ir embora. Neste perfil se enquadra a cozinheira Lúcia Santos Oliveira, de 54 anos de idade. Ele explica os motivos que a fazem chegar tarde à feira, que é conhecido como “xepa”, ou final de feira.

“Aprendi que quando os vendedores estão arrumando os caixotes é a melhor hora para comprar. Os preços caem bastante. Existem produtos que se não vender podem se estragar. Então é nessa hora que aproveito. Os vendedores preferem vender mais barato a arriscar estragar suas frutas e verduras. Gasto, no máximo, R$ 10,00 por semana”, conta.

Mas vida de feirante não é nada fácil  e ele é obrigado a conviver com dois problemas distintos: quando faz muito sol, as mercadorias estragam mais rapidamente. E quando chove demais, o preço dos produtos encarece e as vendas caem.

“Uma semana o preço de um produto está menos de R$ 5,00; na outra sobe para R$ 10,00 e na terceira volta a cair novamente. Muita gente aqui planta o produto que vende, mas para quem compra de terceiros como eu, a coisa é mais complicada. Fica difícil competir”, comenta Antônio Roberto Batista, 40. “Todo mundo que está aqui precisa trabalhar e que Deus ajude quem puder vender mais”, conclui.