Atlas eólico coloca Botucatu entre as cidades para investimentos

“Vento agora é business, é dinheiro”, anunciou o Governador Geraldo Alckmin, durante a cerimônia de lançamento do atlas eólico paulista, ocorrida no fim do ano passado, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Ao falar para uma plateia de mais de 200 convidados, Alckmin destacou as regiões do estado com maior potencial para geração de energia elétrica a partir do vento e citou de modo especial as cidades de Campinas, Bauru, Sorocaba e Botucatu, que somam uma capacidade instalada de 1.200MW.

A energia eólica – produzida a partir da força dos ventos – é abundante, renovável, limpa e disponível em muitos lugares. Essa energia é gerada por meio de aerogeradores, nas quais a força do vento é captada por hélices ligadas a uma turbina que aciona um gerador elétrico. A quantidade de energia transferida é função da densidade do ar, da área coberta pela rotação das pás (hélices) e da velocidade do vento.

O potencial eólico paulista é de 4.734 MW de capacidade instalável, o que significa uma estimativa de geração de energia anual de 13 mil GWh. “Parece pouco, mas é significativo”, disse José Aníbal, secretário de energia de São Paulo. “É um primeiro passo que chega com muita vitalidade”, completou.

Os cálculos consideram áreas livres de restrições para implantação de parques eólicos em São Paulo, com velocidade de vento média anual superior a 6,5 metros por segundo e torres a 100 metros de altura. Os números também levam em consideração o potencial estimado a partir de dez anos (2002-2011) de dados simulados com modelos específicos para previsão do tempo.

A partir da divulgação do atlas, que servirá como um mapa para o desenvolvimento de futuros projetos de geração eólica em São Paulo, o governador já prevê que os primeiros leilões para viabilizar esses empreendimentos ocorram no primeiro trimestre de 2013. Segundo Alckmin, os projetos se tornam atraentes para o investidor, em razão das vantagens competitivas que São Paulo proporciona: grande oferta de equipamentos produzidos localmente, o que reduz custos logísticos, bem como pelo fato de as futuras usinas estarem próxima ao maior centro de consumo de energia elétrica do País, que é a região Sudeste.

A boa notícia para a indústria de equipamentos da cadeia de energia a partir do vento é que o Governo do Estado decidiu prorrogar o prazo de isenção de 100% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços (ICMS) para indústria eólica local, que antes terminaria em 2015 e será estendido até 2020.

A energia eólica hoje é a segunda fonte mais competitiva nos leilões. Desde 2009 foram 6,7GW eólicos comercializados, algo em torno de R$7 bilhões de investimentos por ano e um mercado que vem expandindo a taxas de 2MW/ano. Até 2020, serão 16GW eólicos instalados, que representarão uma participação de 9% na matriz elétrica brasileira.

O prefeito João Cury Neto confirma que Botucatu figura entre os municípios que têm posição privilegiada na questão de vento. “Não por conta da velocidade, mas pela constância. Temos ventos permanentes principalmente nas áreas mais baixas. Ainda aguardamos uma posição oficial, mas já temos tratativas com a Secretaria Estadual de Energia colocando Botucatu como parceira para qualquer investimento nessa área”, informa.

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De acordo com o chefe do Executivo Municipal, a Prefeitura também mantém conversas com o subsecretário de Energias Renováveis, o ex-deputado Milton Flávio para atrair investimentos para Botucatu relacionados a energia solar.

“Temos duas empresas, uma delas americana, que querem se instalar no Brasil e nós oferecemos Botucatu como alternativa para construção de uma planta industrial para fabricação de painéis solares. Já tivemos uma conversa em São Paulo, recebemos um representante em Botucatu e deveremos marcar uma data para que os sócios venham ? cidade e possamos avançar na oferta de uma área de 50 mil metros para construção da fábrica”, revela Cury.

Com informações do Governo do Estado