Assembleias podem definir greve no transporte coletivo

Na segunda-feira (23) o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de São Manuel, onde a Cidade de Botucatu é filiada, irá promover duas assembléias para discutir a possibilidade de ser deflagrada uma greve dos funcionários das empresas concessionárias Sant´Anna e Stadtbus, que exploram o transporte coletivo e não está descartada possibilidade de que uma greve seja deflagrada pela categoria.

O sindicato negocia um reajuste em torno de 17%, que seria para cobrir a inflação do período, de 4,88%, mais 12% de perdas salariais. Num primeiro momento as empresas ofertaram 4,88%, (da inflação do período) que não foi aceita. Uma nova proposta foi encaminhada pelas empresas nesta quinta-feira (19) ao sindicato propondo um aumento de 7%, mais um abono de R$ 100,00 em novembro próximo e outro (abono) do mesmo valor para março de 2013. Esses abonos seriam referentes a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Para discutir essa proposta das empresas, o sindicato agendou duas assembléias na segunda-feira. A primeira, prevista para as 10 horas, em frente a sede da Stadtbus e a segunda, ? s 15 horas, em frente ? Sant´Anna. “São os trabalhadores que irão decidir o que é melhor para eles. O sindicato apenas intermedia as negociações. Se eles não aceitarem essa proposta teremos 72 horas para deflagrar a greve”, adianta o presidente do sindicato Geraldo Navas.

Ele acredita que mesmo com esse novo percentual proposto (7%), dificilmente, um acordo será selado. “A defasagem salarial em Botucatu é a maior entre as cidades que fazem parte da área de atuação do sindicato. Em São Manuel, por exemplo, com apenas uma empresa operando, o piso é de R$ 1.100,00 e em Botucatu é de R$ 973,00. É isso que precisamos corrigir. Mas não será o sindicato que irá decidir e sim os trabalhadores nessas duas assembléias. Nossa função é explicar como as negociações estão sendo conduzidas e o que os trabalhadores decidirem, o sindicato vai acatar”, garante.

Os gerentes das empresas concessionárias Sant´Anna e Stadtbus, Antônio Paula Ruiz e Jeferson Mattos, respectivamente, alegam que chegaram no limite e um aumento maior do que proposto seria inviável. Numa reunião esta semana (no Ministério Regional do Trabalho em Bauru), eles procuraram explicar ao presidente (do sindicato) que as tarifas estão no mesmo patamar desde junho do ano passado e nesse período o combustível subiu assim como as peças de reposição dos carros. Também alegam que o número de passageiros diminuiu e a quilometragem percorrida, em algumas linhas, aumentou.

“Não podemos fazer loucura e sabemos até onde podemos chegar. Nessa última proposta chegamos a 7% e mais dois abonos que é um dos maiores reajustes do Brasil. Estamos aguardando o que vai ser decidido, mas espero que o bom senso prevaleça”, diz Antônio Ruiz, lembrando que cada Cidade tem sua dinâmica para operar. “Tem que ser levado em conta vários fatores, como número de passageiros, quilometragem percorrida, números de funcionários, entre outros, que são colocados em uma planilha. Não podemos negociar reajuste em Botucatu nos baseando no que acontece em outras cidades”, explica.

Ele espera que a proposta seja aceita para evitar uma greve que causaria prejuízo a milhares de usuários. “O sindicato pode fazer a greve, mas terá que arcar com as consequências. Em todas as recentes greves no Brasil o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou 7% de reajuste e estamos oferecendo acima disso com os abonos. Se usássemos o patamar do Tribunal, o preço da tarifa em Botucatu seria de R$ 3,13 e não R$ 2,35 como é, atualmente”, comparou Ruiz. “E nós só poderemos negociar o reajuste da tarifa em novembro”, sacramentou.

Fotos: Valéria Cuter