Varíola do macaco: médico de Botucatu explica a doença

Saúde
Varíola do macaco: médico de Botucatu explica a doença 06 junho 2022

Até o início do mês de junho, foram confirmados 813 casos em 30 países

Após mais de dois anos em que a pandemia da Covid-19 foi oficialmente declarada em todo o mundo, notícias recentes sobre uma outra doença, desconhecida ainda por muitos, traz questionamentos, incertezas e apreensão. A disseminação da chamada “varíola do macaco” em diversos países, nas últimas semanas, acendeu um sinal de alerta na comunidade científica.

O médico infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), Dr. Sebastião Pires Ferreira Filho, aponta que a varíola do macaco é uma doença antiga, embora muitas pessoas tenham conhecido este termo mais recentemente. “Os primeiros casos foram relatados em 1958, quando começou a sua disseminação em algumas colônias de macacos. Desde então, esta doença ficou concentrada na África Central e Ocidental”.

Nos últimos meses, no entanto, a proliferação da doença ganhou status mundial: até o início do mês de junho, foram confirmados 813 casos para esta variante, em 30 países. No Brasil, há a investigação de 6 casos suspeitos: 2 em Rondônia, 1 em Mato Grosso do Sul, 1 no Ceará, 1 em Santa Catarina e 1 no Rio Grande do Sul.

Embora o nome esteja relacionado aos primatas, os cientistas ainda buscam descobrir a origem desta doença, pois, além dos macacos, alguns roedores também podem transmitir a varíola. O indivíduo contaminado também pode passar a doença pelas secreções que saem das feridas e por contato via gotículas, sendo ainda investigado se há a possibilidade de transmissão também por relações sexuais.

Os sintomas da varíola dos macacos aparecem entre 7 e 14 dias de contato com o vírus e, inicialmente, são comuns a outras infecções e síndromes, como febre, mal estar, dores de cabeça e musculares. Após estes primeiros sinais, a maioria dos pacientes apresenta alterações na pele, feridas e bolinhas no corpo que lembram outras doenças, como a catapora. “Na varíola dos macacos, uma característica importante é a presença de gânglios que acabam inchando, diferentemente quando há uma varíola comum”, destaca o infectologista.

Por enquanto, não há oficialmente um tratamento específico para a doença. Existe uma vacina já aprovada mas, por ser de vírus vivo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não autorizou o uso do imunizante para uma eventual vacinação em massa da população.

Dr. Sebastião reforça a orientação da OMS de que não há, por enquanto, motivo para pânico em relação à varíola do macaco pois, até o momento, foram registrados somente casos sem gravidade. “Porém, precisamos ficar atentos porque esta doença pode se espalhar pelo mundo e virar, na pior das hipóteses, uma pandemia. Até o presente momento, esta hipótese não está sendo considerada, mas é importante ficar atento aos sintomas e, se for o caso, procurar imediatamente uma Unidade de Saúde. Para conter uma doença altamente transmissível, o diagnóstico rápido é importante”, encerra.

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