IB Unesp Botucatu busca voluntários para estudo sobre fertilidade masculina

Pesquisa busca evidenciar importância de proteína espermática no processo de fertilização

O sonho de um casal em ter um filho (a) às vezes não é algo tão simples de ser concretizado. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a infertilidade chega a atingir de 10% a 20% dos casais em idade reprodutiva. Destes, cerca de 50% estão relacionados exclusivamente a fatores masculinos. Neste sentido, pesquisas que busquem respostas para este problema de saúde pública têm sido cada vez mais frequentes em todo mundo.

Uma destas pesquisas tem sido realizada por Josiane de Lima Rosa, aluna de doutorado do programa de Pós-Graduação em Biologia Geral e Aplicada do Instituto de Biociências da Unesp, câmpus Botucatu. Dentro do Laboratório de Biologia e Toxicologia da Reprodução e do Desenvolvimento – ReproTox, sob a coordenação da Profª Drª Wilma Kempinas, ela tem trabalhado para vincular a importância da proteína espermática SP22 dentro do processo de fertilização.

“O intuito é verificar se em homens que enfrentam dificuldades para engravidar a concentração dessa proteína está diminuída. Já foram feitos experimentos (in vitro e in vivo), que mostram que quando essa proteína é retirada, o espermatozóide não consegue se ligar à membrana do óvulo para fazer a fecundação. Então a gente acredita que a SP22 tem um papel importante no momento da fertilização”, explica.

Para conseguir finalizar este estudo, voluntários têm sido convidados a fazer doação de amostras de sêmen e sangue junto à um laboratório particular credenciado em Botucatu. Os homens interessados em contribuir com a pesquisa precisam preencher alguns pré-requisitos [veja abaixo]. Em troca, eles recebem gratuitamente os resultados dos exames de espermograma e dosagens hormonais. Até o momento, a pesquisa já conseguiu pouco mais de 20 voluntários, de um total de 100 para ser concluído.

“O objetivo é prosseguir com as coletas até o final deste ano e início de 2019Essa proteína já foi estudada em várias espécies e é a primeira vez que ela está sendo realizada em humanos. Então trata-se de uma pesquisa inédita, que já foi aprovada pelo Comitê de Ética, e ocorre em parceria com o pesquisador norte-americano Dr. Gary Klinefelter (United States Environmental Protectiob Agency – National Health and Environmental Effects Research Laboratory), que descobriu essa proteína que estamos estudando”, complementa Josiane.

Ainda de acordo com a pesquisadora, nas últimas décadas, diversos estudos têm relatado modificações na saúde reprodutiva masculina. Seja pela qualidade, alterações na morfologia ou concentração de espermatozóides no sêmen. Além de fatores biológicos, Josiane ressalta fatores sociais que também contribuem ao aumento da infertilidade masculina, como o estresse e estilo de vida (sedentarismo e alimentação inadequada), por exemplo.

“A natureza complexa da infertilidade é ressaltada pelo fato de que cada indivíduo contribui com um complexo conjunto de diferenças genéticas, proteômicas e metabólicas que interagem de maneira imprevisível. Assim, em uma proporção considerável de homens, a causa da diminuição da fertilidade não pode ser determinada e a origem permanece desconhecida”, diz.

Requisitos para ser voluntário da pesquisa:

Ter entre 20 e 50 anos;

Ter 1 ou mais filhos (ou estar tentando engravidar há mais de 8 meses ou em tratamento de fertilização);

Não ser vasectomizado ou ter histórico de outras cirurgias urológicas;

Não ter doenças sistêmicas (diabetes ou hipertensão);

Mais informações:

E-mail: josi.lr@outlook.com

Tel.: (14). 9.8187-1900