Hospital Estadual em Botucatu reabrirá leitos e ampliará frente acadêmica

Saúde
Hospital Estadual em Botucatu reabrirá leitos e ampliará frente acadêmica 03 novembro 2021

Inaugurado há sete anos como parte do Complexo Hospitalar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) e associado às atividades de ensino, pesquisa e extensão na área da saúde da Unesp, o Hospital Estadual Botucatu ampliará o seu atendimento à população e voltará a funcionar de maneira plena a partir de janeiro de 2022, retomando uma frente acadêmica que possibilitará aos estudantes mais contatos com patologias menos graves, afeitas ao dia a dia da população.

Concebido para a realização de procedimentos de pequena e média complexidade, incluindo cirurgias eletivas e outros atendimentos considerados de nível secundário no Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital estadual receberá um aporte financeiro do governo estadual de cerca de R$ 37 milhões até o final de 2022 para retomar serviços de saúde que tiveram de ser interrompidos ou foram redirecionados por uma série de circunstâncias ocorridas nos últimos anos, entre as quais a pandemia de covid-19.

Os repasses foram anunciados no último dia 23 pelo vice-governador Rodrigo Garcia, em visita a Botucatu, após acordo costurado com o apoio do reitor da Unesp, professor Pasqual Barretti, ex-diretor da Faculdade de Medicina.

“O modelo de financiamento (do hospital estadual) nunca foi estável. Então o que ocorre agora é uma grande vitória da gestão do Hospital das Clínicas. Eu tive a honra, como reitor, de participar deste processo de entendimento com o governo do estado, com protagonismo do prefeito de Botucatu, Mário Pardini, e do vice-governador Rodrigo Garcia, para que isso tenha uma solução definitiva. Os novos recursos serão aportados através de um convênio, com vistas ao atendimento completo”, afirma o reitor Pasqual Barretti.

De acordo com André Balbi, docente da Unesp que ocupa a superintendência do HCFMB, a nova linha de repasses da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo à Famesp (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar), organização social que faz a gestão do complexo hospitalar, permitirá a retomada de serviços de saúde de nível secundário para os quais o Hospital Estadual Botucatu fora projetado.

Até o final deste ano, serão reabertos leitos de clínica médica e cirurgia geral e, em janeiro, a maternidade para atendimento de gestações de baixo risco, segundo o planejamento feito pelo HCFMB.

Ao longo de 2022, o Ambulatório de Oncologia do HCFMB, que passou a funcionar no Hospital Estadual Botucatu em 2016, voltará ao Hospital das Clínicas, que concentra os atendimentos médicos de maior complexidade, e serão reabertos mais 20 leitos de enfermaria. No total, quando atingir a capacidade plena, a unidade hospitalar de nível secundário terá 80 leitos e poderá realizar centenas de cirurgias ambulatoriais e de urgência por mês, entre as quais as de hérnia, vesícula, cálculo renal, septo nasal, vasectomia e catarata.

Os recursos a serem transferidos para o Hospital Estadual Botucatu viabilizarão a compra de insumos e a contratação de pessoal, entre os quais novos profissionais de saúde. Além disso, segundo André Balbi, é necessária uma reestruturação do trabalho em todo o complexo HCFMB, que inclui também o Serviço de Atenção e Referência em Álcool e Drogas (Sarad), outra unidade que será beneficiada com o montante repassado pelo governo estadual.

“Esse dinheiro vai nos dar condições de contratar pessoas e abrir o hospital (para o atendimento pleno). Com a ida da oncologia para o (hospital) Estadual já começou uma descaracterização da unidade. Depois, não tivemos recursos para manter a maternidade. Na pandemia, levamos para lá os (pacientes em) cuidados paliativos e o HC virou um hospital de covid”, diz o superintendente do HCFMB, lembrando que, como não havia financiamento específico para o Hospital Estadual Botucatu, teve de priorizar o Hospital das Clínicas nos últimos anos. “Vamos, aos poucos, reativar leitos cirúrgicos, o centro cirúrgico, a cirurgia ambulatorial e vamos analisar a situação do ponto de vista estrutural. Porque em muitos momentos na pandemia foi uma situação de tamanho estresse que a gente redirecionou recursos materiais, como foi no caso dos respiradores, para o HC, priorizando atendimentos a pessoas que corriam risco de morrer de covid-19”, afirma André Balbi.

Na visão do docente, a retomada dos serviços de saúde para os quais o Hospital Estadual Botucatu fora concebido promoverá uma maior integração entre as redes de saúde primária, secundária e terciária da região e, na questão acadêmica, servirá principalmente aos estudantes em fase de internato, indo ao encontro do que fora projetado na abertura da unidade em 2014.

“Quem vai fazer, por exemplo, residência em psiquiatria não tem que ver transplante cardíaco. Quem vai fazer anestesia não tem que ver pacientes com dor na perna. São perfis diferentes. Se você colocar o aluno do internato para atender no (nível) secundário e o residente, no terciário, vai muito bem. Esse modelo que estamos buscando faz algum tempo. Parece que agora, passada a pandemia, teremos recursos para podermos avançar nessa proposta”, afirma André Balbi.

Como gestor do complexo hospitalar, sob administração da Secretaria de Estado da Saúde via Famesp, Balbi dialoga com os departamentos da Faculdade de Medicina sobre os serviços que são prestados nas unidades de saúde e responde para um Conselho Deliberativo presidido pela diretora da unidade universitária e composto, no total, por sete membros titulares, sendo quatro docentes da FMB-Unesp.

O complexo HCFMB, do qual faz parte o Hospital Estadual Botucatu, atende a uma área em que vivem cerca de 2 milhões de pessoas e integra o Departamento Regional de Saúde (DRS) VI. A área de abrangência inclui 68 municípios nas regiões do Polo Cuesta, onde está Botucatu, e do Vale do Jumirim.

“A estabilização do financiamento desse hospital traz grandes benefícios para o Sistema Único de Saúde e também enorme benefício para o ensino de graduação e de residência médica. Teremos pela frente uma demanda reprimida de pacientes que não conseguiram ter um atendimento pleno por força da pandemia, um grande desafio que será mais fácil de ser enfrentado”, projeta o reitor Pasqual Barretti.

Por Jornal Unesp

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