Cirurgia robótica avança e amplia precisão em procedimentos de alta complexidade

Saúde
Cirurgia robótica avança e amplia precisão em procedimentos de alta complexidade 01 março 2026

O custo milionário do equipamento continua a ser, contudo, um dos principais impedimentos para uma utilização em maior escala.

A cirurgia robótica, antes restrita a grandes centros, vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil, não apenas na prática clínica, mas também na formação de novos médicos. A técnica, que utiliza sistemas robóticos controlados por um cirurgião para realizar procedimentos minimamente invasivos, já é realidade em hospitais de referência, como o Hospital Israelita Albert Einstein, e começa a ser incorporada na formação de estudantes de medicina.

A tecnologia permite movimentos mais precisos, visualização tridimensional ampliada e maior estabilidade durante as cirurgias, o que pode reduzir sangramentos, diminuir o tamanho das incisões e acelerar a recuperação dos pacientes. Por isso, áreas como urologia, ginecologia, cirurgia geral e oncológica têm ampliado o uso dos robôs cirúrgicos em centros que dispõem da plataforma.

No país, várias instituições de ensino já passam a incluir conteúdos e demonstrações de cirurgia robótica em seus currículos, preparando futuros profissionais para lidar com as novas ferramentas tecnológicas. Especialistas afirmam que essa integração entre educação e tecnologia é essencial para que a técnica se torne mais disseminada e acessível.

Apesar dos avanços, a expansão ainda enfrenta barreiras, como o alto custo dos equipamentos e a necessidade de treinamento específico de equipes médicas e de apoio. Por isso, a adoção ainda é mais comum em hospitais privados ou em grandes cidades.

Em diversas localidades do interior, gestores e profissionais de saúde acompanham de perto essa evolução e aguardam a chegada da tecnologia. Em Botucatu, conhecida por sua estrutura hospitalar e especialização em atendimentos de alta complexidade, existe grande expectativa pela implementação de cirurgia robótica, que ampliaria ainda mais as opções terapêuticas disponíveis para a população local.

Para especialistas, o crescimento da cirurgia robótica no país — tanto na prática clínica quanto na formação acadêmica — representa um passo importante na modernização da medicina brasileira, com potencial para descentralizar tratamentos de ponta e qualificar a assistência em diferentes regiões.

Esse tipo de procedimento vem ampliando espaço tanto na rede privada quanto, gradualmente, no sistema público de saúde. A técnica utiliza um console semelhante a um joystick, por meio do qual o cirurgião controla os braços robóticos responsáveis pelos movimentos realizados em pequenas incisões no corpo do paciente. O sistema oferece maior precisão, estabilidade e controle da força aplicada durante a cirurgia.

“Na formação do aluno de medicina, mais importante do que o contato com as tecnologias, sejam robóticas ou de inteligência artificial, é que ele seja treinado para desenvolver análise crítica sobre essas tecnologias e, principalmente, para avaliar publicações médicas, identificando vieses, erros metodológicos e conflitos de interesse”, disse Sérgio Samir Arap, diretor médico adjunto do Centro Cirúrgico, Centro de Endoscopia e Centro de Ortopedia do Hospital Sírio-Libanês em reportagem do portal Terra.

Com incisões menores e auxílio de uma câmera de alta definição inserida por um dos acessos — de forma semelhante à laparoscopia — a cirurgia robótica tende a proporcionar menos trauma cirúrgico e recuperação mais confortável no pós-operatório. A tecnologia já é empregada em diferentes especialidades, como urologia, ginecologia, cardiologia, pediatria e oncologia, entre outras.

Universidades investem em novos laboratórios de cirurgia robótica

Instituições de ensino superior têm ampliado investimentos na formação prática em cirurgia robótica e tecnologias minimamente invasivas. Uma delas é a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, que inaugurou em janeiro o Centro de Simulação e de Inovação Tecnológica em Treinamento Cirúrgico (CSITC), segundo reportagem do portal terra. O espaço é destinado a estudantes de graduação e médicos residentes, com estrutura voltada ao treinamento em videocirurgia, cirurgia robótica e outras plataformas de simulação avançada.

Outra iniciativa recente ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG), que abriu, em novembro, o Laboratório de Simulação Robótica e Cirurgia Minimamente Invasiva. O ambiente atende alunos de diferentes etapas da formação médica, inclusive do primeiro ano, e conta com simulador equipado com mais de 80 módulos de treinamento — que vão desde técnicas de sutura até procedimentos como cirurgias de vesícula, útero e próstata.

Na Universidade de São Paulo (USP), o Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (Promin) recebeu um simulador de cirurgia robótica no ano passado, que será voltado a atividades da graduação. O equipamento de alta precisão custou cerca de R$ 1 milhão, de acordo com a instituição.

O custo milionário do equipamento continua a ser, contudo, um dos principais impedimentos para uma utilização em maior escala. E, em paralelo, essa área também deve passar por transformações.

No ano passado, por exemplo, ganhou repercussão um procedimento experimental (em cadáver de porco) realizado por um robô com inteligência artificial, que realizou uma cirurgia em tecidos reais nos Estados Unidos.

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