Câncer de próstata pode estar relacionado à vida pré-natal, mostra estudo feito em Botucatu

O câncer de próstata é a segunda causa de morte por câncer em homens. De cada 10 casos, 6 são diagnosticados após os 65 anos de idade, segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer. Estudo realizado dentro do Programa de Pós-graduação em Biologia Geral e Aplicada (BGA), do Instituto de Biociências da Unesp, Campus Botucatu, pelo pesquisador Sérgio Alexandre Alcantara dos Santos, mostrou que o aparecimento do câncer de próstata em homens pode estar relacionado à dieta inadequada da mãe durante a gestação e o aleitamento do filho.

“Realizamos experimentos em modelo de ratos de laboratório para identificar como a má-nutrição materna afeta o desenvolvimento e saúde dos seus descendentes, desde o nascimento até o envelhecimento. Além de nascerem com baixo peso, os filhotes machos apresentaram, desde muito jovens, alterações nos níveis de hormônios sexuais (testosterona e estrógeno), condição que normalmente está relacionada ao desenvolvimento de desordens do sistema reprodutor, incluindo o câncer de próstata, que também foi detectado nestes animais quando eles envelheceram. Aliás, os animais velhos que nasceram de mães alimentadas com dieta pobre em proteína terem desenvolvido câncer de próstata, certamente foi o resultado mais impactante do nosso estudo”, explica Sérgio Alexandre Alcantara dos Santos.

O trabalho foi resultado da tese de doutorado do pesquisador que estudou a hipótese de que perturbações ocorridas desde as fases inicias de desenvolvimento, mesmo durante o período intrauterino, podem influenciar o desenvolvimento de doenças ao longo da vida pós-natal, conceito conhecido como Developmental Origins of Health and Disease (DOHaD), ou Origem Desenvolvimentista de Saúde e Doença, que possui uma Sociedade Internacional (https://dohadsoc.org/) e uma Rede DOHaD Brasil, da qual a Unesp faz parte. O título da tese é “Impacto da restrição proteica gestacional e lactacional sobre a próstata de ratos: Relação entre a via de sinalização da Insulina/IGF, desenvolvimento e envelhecimento” e foi orientada pelo professor Dr. Luís Antonio Justulin Júnior.

Para Sérgio, esses resultados, assim como o de outras pesquisas, deveriam fomentar a discussão sobre a implementação de políticas públicas como a melhoria da alimentação e atenção à gestante, assim como na primeira infância.

Inscrito no Prêmio Unesp de Teses, o vídeo em que Sérgio apresenta o trabalho foi escolhido por estudantes do ensino médio como o segundo melhor. “Certamente, o Prêmio UNESP de Teses representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos. Também serve de motivação para que possamos trabalhar mais e melhor a cada dia. Por fim, esta iniciativa premia a ciência de qualidade desenvolvida pela comunidade Unespiana”, expressa o pesquisador que, no momento, desenvolve o pós-doutorado com bolsa da FAPESP junto ao Laboratório do Matriz Extracelular, do Departamento de Morfologia do Instituto de Biociências da UNESP de Botucatu, sob supervisão do professor Luís Antonio Justulin Júnior. Também está associado a um projeto de pesquisa na Universidade de Trento, Itália, com bolsa de estágio de pesquisa no exterior (BEPE), com a colaboração da Dra. Michela A. Denti.

A tarefa agora é para identificar os mecanismos moleculares responsáveis pelos efeitos observados nos animais que foram expostos à má-nutrição materna. O desenvolvimento da investigação também conta com 3 doutorandas, 2 mestrandos, além de alunos de Iniciação Científica, docentes do Departamento de Morfologia e instituições parceiras no Brasil e no exterior.

“Com a ajuda deste grupo de trabalho, temos conseguido resultados interessantes e promissores, que identificam vias moleculares alteradas pela restrição proteica materna e que potencialmente participam do desenvolvimento de câncer prostático. Satisfação por continuar a pesquisa e sonho em me tornar professor universitário, dando continuidade à carreira de cientista”, finaliza o doutor Sérgio Alexandre Alcantara dos Santos.