Botucatuense integra programa InformaSUS da UFSCar

A Estudante Botucatuense, Sofia Selpis Castilho, é uma das participantes que compõem o projeto. Ela relata como a experiência tem sido agregadora e o quanto o projeto está evoluindo

Na primeira quinzena de março, com a multiplicação dos casos de Covid-19 no Brasil e as medidas de distanciamento físico no horizonte, dois sentimentos surgiram entre docentes e estudantes da área da Saúde na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), especialmente no curso de Medicina: a preocupação com desafios envolvidos na produção e circulação de informações relevantes e confiáveis junto a diferentes segmentos da sociedade e a angústia por querer estar na linha de frente do combate à pandemia e não poder, pela necessidade do distanciamento e de medidas de segurança voltadas não só aos estudantes do curso, mas também à população atendida.

Três meses depois, preocupação e angústia foram transformadas em uma rede que articula grande diversidade de pessoas, coletivos, áreas profissionais e de conhecimento, temas e públicos de interesse em um projeto de extensão e uma plataforma tecnológica de produção, organização e disseminação de informações de qualidade no contexto da pandemia: o portal InformaSUS (www.informasus.ufscar.br), iniciativa que já congrega mais de 100 participantes – entre docentes, estudantes, profissionais técnico-administrativos e voluntários – e produz, diariamente, uma média de duas publicações em ao menos nove grandes áreas temáticas associadas à pandemia.

“Com a interrupção das atividades presenciais, havia uma massa de pessoas angustiadas e, também, a identificação da necessidade de organização das informações. Eram muitas pessoas apresentando esses problemas, mas havia uma dificuldade em enxergar o caminho para lidar com eles. Nós então buscamos juntar as coisas, trabalhar com a potência das pessoas e dos grupos e organizá-los em frentes de trabalho que pudessem atuar respeitando o distanciamento social e, ao mesmo tempo, contribuindo no processo de enfrentamento das questões da pandemia”, relata Gustavo Nunes de Oliveira, docente do Departamento de Medicina da UFSCar e coordenador do projeto de extensão.

Hoje, a equipe conta com um grupo grande de docentes do próprio DMed e, também, dos departamentos de Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Gerontologia, Psicologia, Ciências Fisiológicas, Educação, Letras, Ciência da Informação, junto a mais de 30 estudantes de graduação, dois pós-graduandos e cinco servidores técnico-administrativos das áreas de Comunicação e de Tecnologia de Informação, além dos voluntários de outras instituições. Essas pessoas se organizam em dez grupos temáticos: Cuidado sem Limites; Cuidados Paliativos; Farmacologia; Neurologia; Pessoas Idosas; Saúde da Criança; Saúde Indígena; Saúde Mental, Saúde da População Negra e Saúde do Trabalhador. Também há grupos de Curadoria Linguística e de Língua Brasileira de Sinais (Libras), além de equipe técnica de manutenção do site e redes sociais e de apoio aos grupos temáticos (formada por estudantes) e de uma rede de mais de 50 voluntários atuantes nas áreas de Comunicação Social e Design.

“Tudo começou com um grupo de WhatsApp e a proposta de um plano integrado de comunicação e de um site que funcionasse como dispositivo articulador de toda essa produção. As redes sociais apareciam como canais de disseminação. Surgiram, então, necessidades de organização do processo editorial, de formalização de uma política editorial comum, de protocolos de revisão de conteúdo e linguística”, conta Oliveira. “Construímos, assim, uma estrutura que conta com um dispositivo agregador da diversidade, que é o site; uma política editorial comum, pactuada coletivamente; e uma equipe de base que garante as condições de funcionamento do site, redes sociais e do processo editorial; tudo isso a partir de uma pactuação que preserva a autonomia dos grupos”, complementa.

O coordenador do projeto também destaca como, além do objetivo de produzir conteúdos de qualidades para públicos diversos – desde a própria comunidade científica e profissionais de Saúde até a população em geral e diferentes recortes desta população –, o InformaSUS vem propiciando uma vivência muito rica de articulação entre áreas de conhecimento e práticas profissionais, além do acesso de pesquisadores, estudantes e técnicos ao debate sobre comunicação científica. “Hoje temos, na UFSCar, mais gente atenta, estudando e trabalhando com a comunicação científica e a comunicação em Saúde”, afirma Oliveira, registrando que os processos de formação e produção de conhecimento na área também estão no escopo do projeto.

A Estudante de Enfermagem da UFSCar, Sofia Selpis Castilho, de Botucatu, é uma das participantes que compõem o projeto InformaSUS. Ela relata como a experiência tem sido agregadora e o quanto o projeto está evoluindo: “Como estudante, participar deste projeto é uma oportunidade de me manter atuante na pandemia, principalmente, no combate às ‘fake news’, e auxiliar na promoção de autonomia da saúde da população, mesmo que a distância. Além disso, essa experiência me permite desenvolver habilidades pessoais e profissionais únicas que, de outras formas, não seriam desenvolvidas. Também mantemos um espaço de formação semanal, no qual, um facilitador, coloca para o grupo aspectos relacionados a, por exemplo, política, economia e comunicação em saúde. Dessa forma nos capacitamos em diversos âmbitos que muitos de nós estudantes não teríamos contato por não tangenciar diretamente nossa área de estudo.”

Ao completar mais de 4 meses, o InformaSUS, que já nasceu como rede, interna à UFSCar, começa a estabelecer conexões em outras instituições e com outros grupos organizados, a partir inclusive de contatos anteriores já mantidos pelos diferentes grupos envolvidos. “Uma única universidade nunca conseguiria produzir todo o conteúdo necessário e, mesmo se fosse capaz, só poderia dar visibilidade aos contextos em que está inserida.

Mas, em um país continental e multicultural, com regionalidades muito fortes, não conseguiremos atingir nossos objetivos sem uma rede nacional, sem incluir necessidades e contextos que estão fora do nosso território geográfico e geopolítico”, avalia o coordenador. “Por isso, temos muito interesse, e já estamos estabelecendo contato com outros projetos em outros territórios – ribeirinho, amazônico, nordestino, do litoral, nos movimentos sociais, do centro e da periferia –, que estão nestes outros territórios diversos e compõem conosco um conjunto de processos, para que possamos então pensar estratégias e compor produtos de comunicação adequados a esses diferentes contextos”, conclui Oliveira.

Além do site (www.informasus.com.br), os conteúdos e outras informações sobre o InformaSUS podem ser acessados no Facebook, no Instagram (@informasus.ufscar) e no Twitter (@ISUSUFSCar).