Botucatu inicia teste de medicamento para tratar a Covid

A Faculdade de Medicina de Botucatu  está participando de estudo que avalia o potencial do medicamento francês ABX464 para tratar pacientes com a Covid-19, barrando o avanço da inflamação nos pulmões. Segundo a empresa de biotecnologia que coordena os testes clínicos, a Abivax, o remédio apresenta potencial efeito benéfico triplo, atuando como antiviral, anti-inflamatório e reparador de tecidos. No total, 1.034 pacientes serão testados na Europa e América Latina.

No interior de São Paulo, apenas a Faculdade de Botucatu e a Fundação Faculdade Regional de Medicina de São José do Rio Preto farão parte do estudo, chamado de miR-AGE. Pacientes com Covid atendidos em Botucatu começaram a ser admitidos no final da última semana. Segundo a Abivax, os testes com o novo medicamento contam com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nesta fase da pesquisa, participantes com o novo coronavírus acima dos 65 anos ou com menos de 65 anos, que apresentem fatores de risco, como obesidade, diabetes, hipertensão e doença cardíaca, receberão o ABX464 por via oral, durante 28 dias. Pacientes não hospitalizados serão monitorados por telefone durante o período de quarentena de 14 dias. A partir da terceira semana de tratamento, ou a partir da data em que o participante for liberado pelo médico, ele deverá ir até o hospital, uma vez por semana, para avaliação.

“O estudo rigoroso de Fase 2b/3 será conduzido de acordo com os padrões internacionais de pesquisa clínica na América Latina e Europa. O estudo incluirá um robusto procedimento de seleção de participantes, randomização contra placebo e monitoramento, bem como gestão, coleta de dados e análise estatística”, explica a Abivax em nota. Informações sobre a pesquisa podem ser obtidas pelo site: www.abivax.com ou pelo telefone 0800 454 54 54, das 8h às 17h.

BENEFÍCIOS

De acordo com a fabricante, o novo medicamento em estudo pode diminuir os graves efeitos da infecção pela Covid-19, reduzindo o número de pacientes que necessitam de hospitalização e tempo de recuperação para participantes internados. “Na atual situação, sem vacina e sem imunidade em massa contra a Covid-19, necessitamos de um tratamento rápido que reduza a gravidade dessa doença”, afirma o professor Hartmut Ehrlich, CEO da Abivax.

No Brasil, o estudo será comandado por Jorge Kalil, professor titular de imunologia clínica e alergia da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ele, a pesquisa clínica avaliará se o tratamento anti-inflamatório precoce com ABX464 pode melhorar os desfechos em pacientes com a Covid-19. “A molécula já apresentou dados de eficácia transformacional em participantes com colite ulcerativa, doença também inflamatória. Além disso, ABX464 apresentou perfil de segurança favorável em mais de 300 participantes voluntários e portadores de HIV ou colite ulcerativa”, diz.

Fonte: JCNET