Autodeclaração de Sintomas contribui para prevenção do coronavírus no HC de Botucatu

Desde o início da pandemia da COVID-19, em março deste ano, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) estruturou diversas ações para proteção de seus colaboradores e usuários, graças a um trabalho coletivo envolvendo vários gestores. Orientações e treinamentos ministrados aos funcionários, estruturação da testagem em pool de saliva, definição de fluxo próprio para funcionários sintomáticos para coleta de swab (RT-PCR) e separação entre áreas que atendem pacientes suspeitos e confirmados de COVID-19 são exemplos práticos destas ações.

Uma das iniciativas, implantada em agosto, foi a Autodeclaração de Sintomas, elaborada a partir do Protocolo de Testagem da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES), sendo composta por um questionário em que o servidor se declara sintomático ou assintomático ao iniciar sua jornada de trabalho presencial diariamente. O fácil acesso ao questionário e a simplicidade no preenchimento permitem que o servidor comunique sua condição em poucos segundos.

As informações coletadas são triadas por uma equipe médica que encaminha os casos a serem investigados para o Núcleo Interno de Regulação (NIR), que entra em contato com o colaborador prestando informações sobre a avaliação que será realizada pela Infectologia.

De acordo com um gráfico elaborado pelo Serviço de Engenharia e Segurança em Medicina do Trabalho (SESMT) do HCFMB, desde que a autodeclaração foi implementada, houve uma diminuição de mais de 20% da quantidade de funcionários que trabalharam sintomáticos e, posteriormente, testaram positivo para a COVID-19.

Esse resultado é fruto de um trabalho em equipe, envolvendo a Diretoria de Assistência, o Departamento de Apoio à Assistência e o Centro de Informática Médica (CIMED), que desenvolveu o programa. “Todos os dias, de 8 a 10 pessoas são triadas por esse sistema. São funcionários que estão sintomáticos e, ao constatarem, não exercem as suas atividades laborais, não expondo os usuários da Instituição ou outros trabalhadores”, explica Dr.ª Erika Ortolan, Diretora de Assistência do HCFMB e idealizadora do programa.

Já Dr.ª Letícia Lastória, do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE), explica que a possibilidade de transmissão da COVID-19 é maior quando a pessoa apresenta sintomas. “Devemos zelar sempre pelo bem dos nossos colegas de trabalho e dos nossos pacientes. Por isso, quando o profissional é sintomático, ele deve ser avaliado para que seja excluída não só a hipótese de coronavírus, mas também de outras doenças infectocontagiosas”.

De acordo com o diretor do SESMT, Fábio Picchiotti, medidas aplicadas no HCFMB, como a Autodeclaração, têm servido como modelo para a Central de Recursos Humanos (CRH) e para implementações em outras unidades paulistas. “Estamos tendo grandes avanços e a nossa meta é conseguir chegar a um momento em que ninguém trabalhe com sintomas e que, dessa forma, o risco de transmissão entre funcionários seja o mais baixo possível. Para isso, precisamos da colaboração de todos para tornar o Hospital cada vez mais seguro”, encerra.