Touros da raça angus dos EUA chegam em Itatinga para comercialização de material genético

Animais pertencem a uma empresa de genética bovina de Itatinga. No Brasil, os touros passam por uma coleta de sêmen; cada uma pode conseguir material suficiente para inseminar até 700 vacas.

Madson, Greenlake, Vermont: estes são alguns exemplos de touros americanos da raça angus que desembarcaram no Brasil recentemente.

Os animais pertencem a uma empresa de genética bovina do município de Itatinga, cidade vizinha de Botucatu, e foram comprados nos Estados Unidos, país que tem o maior rebanho da raça no mundo. Os touros jovens, de 450 quilos, foram selecionados a dedo por investidores brasileiros.

Os touros são utilizados para a coleta de sêmen e inseminação animal. A empresa já comprava material genético de animais dos Estados Unidos, mas, com o rebanho importado, pretende ampliar o mercado, já que o setor está aquecido no momento.

Somente no primeiro semestre deste ano, o mercado da genética de corte cresceu 47% em relação ao mesmo período de 2019. Com mais de 5,5 milhões de doses de sêmen vendidas na empresa paulista, a alta foi de 50%, mesmo durante a pandemia.

Segundo a gerente de corte Juliana Ferragute, a empresa trabalha em duas equipes de corte, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos. As chamadas “demandas genéticas” são repassadas para que o animal seja encaminhado sem defeitos ou complicações, que podem interferir, por exemplo, na reprodução.

Para o gestor da Genex, Sérgio Saud, a iniciativa partiu de uma necessidade local no abastecimento do mercado e também para uma maior agilidade ao ofertar um produto de alta qualidade no mercado.

A comercialização do material genético de angus busca a reprodução de animais dessa raça com fêmeas nelore. O valor investido é de cerca de um milhão de dólares pelos próximos dois anos.

O retorno é garantido: a vida produtiva do angus é de pelo menos sete anos. Porém, para trazer esses animais foi necessária uma operação internacional.

 

Os touros viajaram em um avião de carga, do estado de Wisconsin, na fronteira com o Canadá, até Miami, onde fizeram uma escala. Os animais desembarcaram no aeroporto de Campinas (SP) após nove horas de voo.

Um fator importante a se considerar é o clima. Neste período do ano, nos Estados Unidos é outono e, no Brasil, primavera. Para que os touros não sentissem uma mudança de temperatura muito grande, a viagem foi programada para antes do inverno americano e do verão brasileiro.

O veterinário José Roberto Potiens explicou que o choque térmico não produz “bons frutos”. Isso porque, para a produção do sêmen, a temperatura muito elevada pode sofrer um decréscimo. Por isso, cabe ao veterinário colocar os animais em situação de conforto.

Os animais recebem uma dieta leve com 20 quilos de feno por dia e assistência veterinária 24 horas, além de cuidados de pré-imunização, processo que dura cerca de 30 dias, para que criem resistência contra carrapatos, comuns nas áreas de pastagens brasileiras.

Em seguida, eles são encaminhados a baías para mais um período de adaptação. A coleta de sêmen começa em 60 dias. Cada coleta pode conseguir material suficiente para inseminar até 700 vacas.

Mesmo sem previsão próxima para vendas, pecuaristas já estão interessados nos descendentes desses touros norte-americanos

Breno Barros representa fazendas de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Ele contou que viajou para Itatinga para avaliar os animais e fechar negócio. Para o pecuarista que quer investir, conhecer de perto esses touros é parte da negociação.

Fonte: G1