Romaria a pé e procissão fluvial marcam o feriado de Aparecida

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Romaria a pé e procissão fluvial marcam o feriado de Aparecida 12 outubro 2017

 

Foto Divulgação

Os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora da Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul serão festejados nesta quinta-feira (12) com procissão de barcos, romaria e missas. A 16ª Romaria a Pé até o santuário em Aparecidinha de São Manuel é um dos eventos mais tradicionais.

O distrito tem o segundo santuário mais antigo do país, depois da Basílica de Aparecida. Durante todo o feriado serão celebradas várias missas naquela localidade, a última de encerramento terá a presença do arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto Camargo, que será seguida da procissão luminosa com a imagem de Nossa Senhora.

Nesta quinta-feira, o Santuário acolhe diversas romarias às 8h onde acontecerá a Missa dos Peregrinos que receberá duas romarias a pé, uma vinda de Botucatu que caminhará 35 quilômetros e outra vinda de São Manuel. Às 11h, ocorrerá a Missa Sertaneja com a acolhida da Cavalgada de Nossa Senhora com comitivas vindas da região. Um almoço tropeiro será servido, com a renda revertida para as obras do Santuário.

Encerrando o dia da padroeira, às 18h, será celebrada pelo arcebispo de Botucatu, Dom Maurício Grotto de Camargo, a missa solene que será seguida da procissão.

A “Procissão e Bênção Sobre as Águas” está marcada para hoje, às 10h30, com a saída da imagem das margens do Rio Tietê no lado de Itapuí e segue até Boraceia, com as embarcações percorrendo um trecho do Rio Tietê. Às 11h, está prevista Santa Missa em homenagem a Nossa Senhora e, após às 12h, carreata até a Igreja Matriz onde será celebrada missa em Boraceia. O encerramento das festividades religiosas será às 16h no Salão Paroquial, logo após a procissão.

Em Dois Córregos, hoje tem 17ª Cavalgada de Nossa Senhora Aparecida. A concentração será às 10h, na Balança Municipal, ao lado Ginásio de Esportes “Dr Jonas Edson Faulin”, e logo após as comitivas percorreram as ruas centrais de Dois Córregos, com destino a Apae, onde será realizada a bênção aos cavaleiros pelo padre José Carlos Frederice.

Em Arealva (41 quilômetros de Bauru), no portal de entrada da cidade vai ganhar um monumento de 4 metros. Neste no ano, as catequistas fizeram um documentário também com crianças para ilustrar a história da santa. O monumento projetado tem 4 metros de altura em 4 D em aço e pesa 500 quilos. Sua base em forma de canoa tem os três pescadores e uma rede que remetem ao momento do encontro da imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul. De acordo com o pároco da Igreja Santa Catarina de Alexandria, Luiz Eduardo Monteiro Fontana, o monumento ganhou cores e iluminação e será instalado na entrada da cidade, onde as pessoas serão abençoadas na sua chegada como na sua partida do município.

Em Lençóis Paulista, a Paróquia Nossa Senhora da Aparecida marcou para hoje missa às 6h, 8h, 9h30, 15h e 17h (com procissão). No local também está previsto na hora do almoço um churrasco, a partir de 11h30, além de um sorteio dos 300 prêmios e mais um Fusca. As festividades e quermesse prosseguem até domingo.

Pesquisador explica sobre a ‘Mariofania’ no ritual católico

O professor Maurício de Aquino escreveu “História e Devoção: a construção social do culto a Nossa Senhora do Vagão Queimado de Ourinhos (1954-2004)”. Em um dos trechos da sua tese de mestrado na Unesp de Assis, ele explica a importância de Maria na fé católica brasileira e latino-americana. É a hiperludia (culto à mãe de Jesus): o catolicismo ibérico que desembarcou na América do século XVI foi preponderantemente devocional e iconófilo (que gosta de imagens).

Aquino cita o espanhol Serge Gruzinski em um dos capítulos que atribui aos conquistadores trazerem consigo inúmeras imagens de santos e Jesus Cristo destacando-se, em quantidade, as de Santa Maria. “Esse apego às imagens, próprio do catolicismo medieval tardio, consolidou-se com as guerras de reconquista da península e se transformou em uma característica marcante da identidade ibérica”, conta na publicação.

O escritor ourinhense cita ainda que o catolicismo português era profundamente mariano. E claro influenciou o catolicismos brasileiro. A figura de Maria esteve presente na formação da nação lusitana contribuindo para estabelecer o sentimento de unidade. O criador da monarquia portuguesa D. Afonso Henrique e seus sucessores criaram o culto à “Mãe de Deus” criando a tradição. “À Virgem foram atribuídos as vitórias (Nossa Senhora do Vencimento) sobre os mouros, a descoberta do ‘caminho das Índias’ e a restauração da independência lusitana em 1640”, escreveu Aquino.

Fonte: Jcnet

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