Diretoria de Saúde de São Manuel alerta para aumento de casos de raiva em bovinos no município

Só este ano, foram constatados cerca de 10 casos suspeitos da doença, sendo que 3 já foram confirmados em diferentes pontos da zona rural

Imagem Ilustrativa

A Diretoria de Saúde e a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de São Manuel estão em estado de atenção devido ao aumento no número de casos de raiva, doença que há anos havia sido controlada, mas que vem acometendo animais da zona rural do município.

De acordo com levantamento realizado pelo setor de Vigilância Epidemiológica municipal, apenas em 2017 foram constatados cerca de 10 casos suspeitos da doença em bovinos, sendo que 3 deles já foram confirmados. Para o médico veterinário da Diretoria de Saúde, dr. Carlos Scremin, embora ainda esteja sob controle, a situação de momento é preocupante, pois trata-se de uma doença transmitida por morcegos.

“Sempre há casos esporádicos da doença em propriedades próximas à Rodrigues Alves, o que é comum, mas estes novos casos surgiram em extremos distintos da cidade, em sítios e fazendas que ficam próximas a zona urbana. Por isso, estamos atentos a qualquer ocorrência do gênero”, declara.

Mediante esse quadro, o município tem agido de forma antecipada à uma possível proliferação do vírus. Além do levantamento, agentes da epidemiologia e da UVZ estão notificando os casos aos órgãos responsáveis e vacinando as pessoas da zona rural que tiveram algum tipo de contato com os animais contaminados, encaminhando-as para o devido tratamento.

Segundo o médico veterinário responsável pela UVZ, dr. Paulo Targa, a não-obrigatoriedade da vacinação antirrábica nos animais levaram os produtores a deixarem de imunizar sua criação, tornando-os suscetíveis à este tipo de infecção. “Seria importante que os proprietários voltassem a vaciná-los, pois isso garantiria a segurança do seu rebanho e de sua própria família”, argumenta.

Os produtores que suspeitarem de casos de raiva em suas propriedades podem procurar o Escritório de Defesa Agropecuária de Botucatu, que encaminhará veterinários para fazer exames de constatação no cadáver do animal. “Contamos com o apoio do produtor para que possamos acabar com esta doença tão perigosa e letal tanto para os animais quanto para os humanos”, concluiu Targa.

Morcegos

Apesar dos sintomas em bovinos e equinos serem diferentes dos sintomas em cães e gatos, o vírus rábico transmitido pelo morcego é o mesmo para todas as espécies.

Scremin explica que a doença circula entre várias espécies de morcegos, tanto os que se alimentam de sangue quanto os que comem apenas frutas e insetos. “Na organização social deles é comum que várias espécies dividam a mesma toca ou caverna. Além disso, eles têm o hábito de um lamber o outro, levando a disseminação do vírus.”

Segundo o veterinário, a cidade é um lugar em que os morcegos que se alimentam de frutos e insetos se adaptam bem e por isso sempre haverá a possibilidade de contaminação, principalmente nos gatos que vivem soltos, que são mais predadores.

Desta forma, faz-se necessário que os proprietários de cães e gatos atualizem a vacinação de seus animais. Em caso de dúvidas, procurem o médico veterinário ou entre em contato com a UVZ.

Sobre a doença

A raiva é uma disfunção viral, caracterizada como uma encefalite progressiva aguda e praticamente não tem cura. Depois de apresentar os sintomas evolui rapidamente para a morte. No mundo, apenas três pessoas infectadas sobreviveram ao mal depois de submetidas a tratamentos, mesmo assim ficaram com alguma sequela.

Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus e também podem transmiti-lo. A forma mais comum da contaminação se dá pela penetração do vírus rábico contido na saliva do animal em feridas, principalmente pela mordedura e arranhadura ou pela lambedura de mucosas.  Ao ter contato com o organismo, o vírus se multiplica e atinge o sistema nervoso, alcançando depois outros órgãos e glândulas salivares, onde se replica. Ainda há relatos de transmissão após transplantes e as remotas possibilidades de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em animais) e a contaminação da mãe para o filho durante a gestação/parto. O aspecto clínico é bem variado, o que torna difícil o diagnóstico se não houver o histórico de exposição à doença.

Os animais domésticos podem demonstrar alterações sutis de comportamento, anorexia, fotofobia, além de agressividade. O cão pode parecer desatento e, por vezes, nem atender ao próprio dono. Também pode haver um ligeiro aumento de temperatura, inquietude, crise convulsiva e paralisia, evoluindo para o coma e a morte.

Já no caso do ser humano, o paciente apresenta mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões. Os sintomas evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal.  O infectado se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.

Serviço

Vigilância Epidemiológica de São Manuel – 3812-4503 / 3812-4505

Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) – 3841-4403

Escritório de Defesa Agropecuária de Botucatu – (14) 3882-2960

Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Manuel