‘Cidade dos cânions’ Bofete extrai areia para a construção civil no estado

 

Uma estreita faixa de escarpas formada por arenitos avermelhados iguais a cânions rodeiam o município de Bofete, na região de Botucatu. Essa formação, devido à resistência a erosão levou milhares de anos esculpindo colinas e montes em um declive não simétrico – suave de um lado e íngreme do outro. Essa característica geológica é rica em mineral, principalmente areia de grande aceitação na Região Metropolitana de São Paulo, utilizada na construção civil.

Éder Azevedo/JC Imagens: O município Bofete é o único nas regiões de Bauru e Botucatu que tem o Ordenamento Territorial Geomineiro (OTGM)

A paisagem tem semelhança com cânions americanos, vales profundos com encostas quase verticais, que podem se estender por centenas de quilômetros e atingir até 5 mil metros de profundidade. No município de Bofete afloram cinco formações rochosas da Bacia do Paraná. Diante disso há atividades minerais desenvolvidas por mais de 10 mineradoras principalmente nos arenitos da Formação Pirambóia, se estendendo em 88% do território municipal, estando grande parte na Área de Proteção Ambiental (APA).

O secretário Municipal de Turismo de Bofete, José Antonio Nicola, cita que a cidade é uma das grandes produtoras de areia do Estado extraída do solo e não somente de rio. É um setor que gera receita de impostos e empregos. “Tem problema ambiental sim, mas traz emprego de grandes mineradoras, no entanto, uma delas a sede fica em Jandira, diante disso a grande parte do recolhimento fica naquele município. A receita nossa é proveniente de notas fiscais de saída sobre a extração”, cita Nicola.

Apesar do potencial para mineração, a silvicultura é o setor mais forte da economia de Bofete. “No nosso território temos uma grande empresa de laranja, porque o solo arenoso ajuda a produzir fruto para exportação. Mas 50% da areia de uma grande empresa de São Paulo é produzida aqui no município”, comenta.

Éder Azevedo/JC Imagens: José Nicola, secretário de Bofete, comenta que o município tem grande produção de areia

A Secretaria de Energia e Mineração já produziu 21 Ordenamentos Territorial Geomineiro (OTGMs). Na região de Bauru e Botucatu, Bofete é o único que tem esse levantamento completo elaborado em 2009 pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

De acordo com a Secretaria, para visar uma produção regulamentada e em conformidade com o meio ambiente, esse estudo oferece bases técnicas para estabelecer o zoneamento minerário dos municípios. A assessoria de imprensa explica, por meio de nota, de que esse instrumento pode ser utilizado pelas prefeituras como parâmetro para realizar seus planos diretores.

No OTGM de Bofete aponta que município tem grande potencial geológico e pode se beneficiar da expansão com a escassez gradativa na oferta da areia em outras regiões produtoras (associada à exaustão de reservas ambientais, conflitos com outras formas de uso do solo).

Meio ambiente equilibrado

O subsecretário de Mineração, José Jaime Sznelwar, declarou por meio da assessoria de imprensa que a intenção é aumentar a atividade minerária nos municípios paulistas gerando extensa cadeia produtiva com a geração de empregos, insumos e preços competitivos, mas dando uma correta redestinação às área lavradas.

Entre as principais atividades que pode ser realizadas pelas prefeituras visando uma produção regulamentada e em conformidade com o meio ambiente, segundo ele, é o Ordenamento Territorial Geomineiro (OTGM).

Pioneira na prospecção de petróleo

Foto Jcnet: Fazenda São Jorge, KM 171 da Rodovia Castelo Branco Bofete-Primeira perfuração profunda de petroleo no país

A primeira prospecção de petróleo no Brasil ocorreu em Bofete feita por um grupo liderado pelo fazendeiro Eugênio Ferreira de Camargo, entre os anos de 1897 e 1901, porém não achou o suficiente para explorar o óleo comercialmente.

De família muito rica, ele foi estudar no exterior, onde decidiu investir na sondagem de petróleo no Brasil. Depois de adquirir a licença junto ao governo para procurar o produto na região de Bofete, já que havia comprado uma fazenda por lá, ele importou uma sonda e contratou um técnico americano, além do naturalista belga Auguste Collon, para fazer a perfuração e análise do conteúdo de um poço de 448,5 metros de profundidade, o maior até então.

Apesar dos esforços foram encontrados apenas dois barris de óleo e água sulforosa. O petróleo descoberto tinha 1,09% de gasolina, 15,5% de querosene, 13,24% de diesel, 13,20% de lubrificante e 22,72% de graxas, mas nada de benzol, afastando, portanto, a origem relacionada à matéria carbonosa. A fonte de água sulforasa fica em uma fazenda no quilômetro 171 da rodovia Castello Branco, onde funciona um complexo turístico que aluga suas instalações para eventos. No inventário feito pelo IPT para o zoneamento minerário constatou que Bofete tem potencial para exploração da água mineral, mas por enquanto só a extração de areia tem mais interesse comercialmente.

Matéria do Jcnet/Bauru