Área do Jardim Botânico de Bauru atingida por incêndio deve levar 10 anos para se recuperar

O incêndio de grandes proporções que atingiu uma área do Jardim Botânico de Bauru (SP) no último sábado (5) destruiu muito mais que uma região de cerrado estimada em 100 hectares, equivalente a 100 campos de futebol.

Segundo biólogos que estiveram nesta quarta-feira (9) no local para fazer um levantamento dos estragos, as chamas acabaram com anos de pesquisas importantes para a preservação do cerrado e de suas espécies vegetais e animais.

Segundo estimativas dos pesquisadores, foram destruídas pelo fogo árvores e arbustos de cerca de 300 espécies, fora os animais, aves e ninhos que viraram cinzas. Dentre as “vítimas” do incêndio está um espécime da sucupira preta, uma árvore em extinção típica do cerrado.

O exemplar queimado servia como ponto de coleta de sementes para os biólogos, um trabalho feito para garantir que a espécie se reproduzisse fora do Jardim Botânico, em outras matas. Com o incêndio, porém, o tronco da sucupira preta virou carvão e as sementes foram destruídas.
“Nós tínhamos trabalhos desenvolvidos e em desenvolvimento, principalmente na área de ecologia, trabalhos de ciclo reprodutivo de espécies ameaçadas de extinção, de florescimento, de polinizadores”, explica Viviane Oliveira, bióloga chefe da sessão de coleções vegetais do parque.

De acordo com a prefeitura, que administra o parque de 321 hectares localizado às margens da rodovia João Ribeiro de Barros, o incêndio destruiu um terço de toda a mata de cerrado de uma das poucas reservas deste tipo de vegetação do estado de São Paulo.

Para Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico, fogo foi provocado por ação humana: preocupação com vigilância do local — Foto: TV TEM/Reprodução
Os biólogos do Jardim Botânico estão percorrendo toda a área queimada para catalogar os estragos. A estimativa é de que a recuperação da área leve, pelo menos, dez anos.

A Polícia Civil instaurou na segunda-feira (7) um inquérito para investigar as suspeitas de que o incêndio tenha sido causado por uma ação criminosa.

“Esse incêndio surgiu próximo da estrada, numa área que as pessoas frequentemente invadem para pescar. Então, é muito importante essa questão da vigilância, porque tem momentos que nós não estamos presentes”, diz Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico.

Fonte: G1