Eleições 2020: com contestações, PSDB recebe novos filiados

Troca-troca: Cula, Laudo, Paulo Renato, Carreira e Lelo Pagani deixam seus partidos e vão para o PSDB 

Na noite desta terça-feira, 10, o PSDB se reuniu para aprovar as novas fichas de filiação visando as eleições deste ano. Quase todos os vereadores que mudarão de partido, irão para a sigla do Prefeito de Botucatu Mário Pardini.

Foram aprovadas as fichas de Cula e Paulo Renato, ambos deixando o PSC, do Presidente do Legislativo, Ednei Carreira, de saída do PSB, Sargento Laudo, dando adeus ao PP e do ex-Vereador Lelo Pagani. Todos serão candidatos em outubro.

Apesar da aprovação, nem todos no ninho tucano bateram asas para o mesmo lado e houve discórdia. Segundo uma fonte do Acontece Botucatu, o nome de Lelo Pagani não foi bem aceito por todos os filiados e surgiram questionamentos.

Lelo Pagani foi eleito Vereador por três vezes consecutivas (2004, 2008 e 2012), todas pelo PT. Em 2016 foi candidato a vice-prefeito estando na Rede Solidariedade, dentro da chapa de Reinaldinho (PR, que virou PL novamente), ou seja, em lado oposto ao do PSDB.

Ainda de acordo com informações, os nomes de Laudo e Paulo Renato também não estavam totalmente digeridos até ontem por todos os tucanos, mas suas fichas também foram abonadas. A partido, que já era a maior bancada na Câmara, ficará quase que dominante até o final desta legislatura.

Apesar do domínio, o PSDB deverá sofrer baixas consideráveis. Há informações, não confirmadas oficialmente, de que Alessandra Lucchesi não tentará a reeleição e que Jamila Cury Dorini seguirá o mesmo caminho.

Além disso, tem a figura de Izaias Colino, vereador mais votado na eleição de 2016. Escanteado no ninho, está migrando para o PSL, onde será candidato a Prefeito.

Os três parlamentares juntos fizeram 5.053 votos na última eleição pelo PSDB. Mais um pouco e eles sozinhos dariam o chamado Coeficiente eleitoral. Esse ano o sarrafo será maior para fazer uma cadeira.

Aqui cabe uma observação. Izaias Colino foi pressionado no partido após uma moção de repúdio ao maior nome do PSDB no Brasil, o Governador João Doria, tendo até uma nota contra o parlamentar divulgada no Facebook. Na oportunidade, Paulo Renato foi autor da moção e Laudo assinou junto. Ambos foram acolhidos entre os tucanos na noite desta terça-feira.

Ficará Zé Fernandes, até abril. Suplente, ele cederá a vaga para Curumim, dono da cadeira, que regressará para a Câmara a partir do dia 01 do próximo mês. Curumim foi eleito em 2016 com 1721 votos, mas assumiu uma Secretaria no Governo Pardini.

A regra eleitoral mudou e agora não haverá mais coligações de partidos para vereador e só farão representantes na Câmara as siglas solitárias que mais abocanharem votos nas eleições. Esse é o motivo desse ‘casamento coletivo’ entre vereadores e o PSDB.

Com esse novo cenário, teoricamente falando, nesse momento apenas um outro partido poderia ter força para eleger parlamentares, o PDT do casal Rose e Mário Ielo, que também tem o vereador Trigo como puxador de votos. O ex-Prefeito dessa vez será candidato ao Legislativo, enquanto a Vereadora disputará a eleição de outubro como candidata à Prefeitura.

Como vai funcionar a eleição de um vereador agora?

Novo cenário eleitoral: agora só partidos farão vereadores (Arquivo Acontece Botucatu)

Segundo a legislação eleitoral, o Coeficiente eleitoral é calculado tomando por base os votos válidos que nós temos em Botucatu, dividido pelo número de cadeiras em disputa. Atualmente são pouco mais de 100 mil eleitores.

Desse número, algo em torno de 20 mil eleitores não comparecem para votar, sendo que outros 5 mil votam branco e mais uns 5 mil votam nulo, ou seja, 30 mil votos que não são válidos e 70 mil votos válidos.

Desses 70 mil votos válidos, há a divisão por 11, que é o número de cadeiras. Essa conta chega a aproximadamente 6,4 mil votos. Esse é o coeficiente, ou seja, o mínimo que cada partido político terá que atingir para poder fazer uma cadeira.

Igor Ignácio: Os partidos vão ter que colocar lá dentro pessoas de qualidade no voto.

“Na eleição passada o coeficiente foi algo em torno de 5,8 mil, contudo era permitido coligações. Quando você coliga, você pode lançar o dobro do número de candidatos para as cadeiras que tem para concorrer. Então se você tinha 11 cadeiras, podia lançar 22 candidatos para atingir o coeficiente. Nesta eleição não pode mais coligar na eleição proporcional, então o partido isolado vai ter que conseguir esse número de votos”, disse ao Acontece Botucatu Igor Ignácio, Chefe do Cartório da 26ª Zona Eleitoral, que engloba Botucatu, Itatinga e Pardinho.

De acordo com Igor, quando um partido sai isolado, ele só pode lançar 150% de candidatos referentes ao número de cadeiras. Então, se são 11 cadeiras, chegamos ao número de 17 candidatos com a obrigação de atingir esse mínimo necessário, algo em torno de 6,4 mil votos, para poder fazer ao menos uma cadeira.

A situação da próxima eleição é tão diferente, que um candidato de outro partido pode ser o mais votado e mesmo assim ficar fora desse coeficiente eleitoral. Por exemplo, Abelardo, segundo mais votado com 1.767 votos na última eleição, pode ter dificuldades se continuar no MDB, mesmo se mantiver a votação.

Agora são menos candidatos com um ‘sarrafo’ maior. Igor Ignácio atenta para a qualidade na composição de um time de candidatos.

“Lá em 2016 eu tinha um coeficiente menor e mais pessoas para conseguir atingir esse valor. Agora nós aumentamos o coeficiente e diminuímos o número de pessoas que vão ter que atingir esse número. Então os partidos vão ter que colocar lá dentro pessoas de qualidade no voto, pessoas que vão conseguir atrair uma quantidade de voto muito grande”, coloca Igor Ignácio.

Prazos eleitorais

A eleição municipal ocorrerá no dia 4 de outubro, o primeiro domingo do mês, conforme prevê a Constituição Federal. Do dia 5 de março ao dia 3 de abril, ocorre o período da chamada janela partidária, quando os vereadores poderão mudar de partido por justa causa, para concorrerem nas eleições majoritária ou proporcional sem perder o mandato.

Já o dia 4 de abril é o fim do prazo para aqueles que desejam concorrer a um cargo eletivo estarem filiados a um partido devidamente registrado no TSE. A data marca seis meses antes do pleito.