Eleição para a Presidência da Câmara deve esquentar os corredores políticos em Botucatu

Laudo (PP), Paulo Renato (PSC) e Carreira (PSB) desejam a cadeira

Como todos sabem, 2018 é um ano político e isso mexe com bastidores em todas as regiões do Brasil, afinal de contas, algumas disputas são polarizadas entre candidatos a Deputado e aqui em Botucatu não será diferente. Mas uma outra disputa deve esquentar bastante nos próximos meses, a de Presidente da Câmara.

Izaias Colino foi eleito Presidente da Casa de Leis botucatuense em 01 de janeiro de 2017, após um acordo que ocorreu pouco tempo após as eleições municipais de outubro de 2016. Na oportunidade ficou decidido que o PSDB ficaria o primeiro biênio na presidência, o que de fato ocorreu.

Até aí tudo bem, não houve uma discussão mais complexa em torno da escolha, ficando a interrogação para o segundo e último biênio da atual legislatura, que diga-se de passagem, não tem um ibope muito alto perante a população.

Se os tucanos iriam passar os dois primeiros anos na principal cadeira da Mesa, os outros partidos que compõe a ‘base aliada’ do governo Pardini ficariam com o tempo restante, claro, esse era o acordo. E é justamente aí que mora o ponto da discórdia.

Paulo Renato e Carreira querem a Presidência (Foto Acontece Botucatu)

Vereador de muitos mandatos e líder do Governo na Câmara, Ednei Carreira (PSB) seria o favorito para ocupar a sala da presidência. Seria, não é mais!!!

Carreira, dizem conversas de bastidores, teria alardeado que o combinado é que ele seria o Presidente em 2019/2020, mas esse fato é negado por seus pares que apenas dizem nos mesmos corredores que o acertado seria a ‘base’ (sem ser o PSDB) ficar com o posto, sem decidir quem seria.

Carreira até era o preferido do Prefeito Mário Pardini, mas tudo indica (pelos menos nos bastidores) que não possui mais o mesmo “carinho e predileção” após o desgastante episódio dos Rodeios na Casa de Leis. Pertencente a bancada do laço na Câmara, Carreira prejudicou o Governo que ele próprio defende, ou teria que defender, irritando a tropa de choque do Poder Executivo.

É bom deixar claro que Pardini afirma com todas as letras que não interfere nas escolhas da Câmara, mas a aguerrida motivação de Carreira na novela rodeio talvez tenha eliminado qualquer chance de ganhar o apoio do Gabinete, chance que teria caído no colo do Sargento Laudo.

Laudo, do PP, jogou no time do Projeto de Lei 73/2017 enviado por Pardini ao Legislativo e isso teria surtido um efeito positivo, o de ganhar a simpatia do Gabinete do Prefeito, embora não seja unanimidade por lá. Aliás, Laudo já confidenciou em alguns cantos que teria os votos de Rose Ielo, Trigo e Abelardo.

Ganhar o apoio dos vereadores do PDT seria algo muito, mas muito difícil, afinal, Rose e Trigo possuem uma posição quase fixa, a do lado contrário dos movimentos do atual Prefeito. Já Abelardo se auto-proclama como o independente, sendo impossível prever sua intenção ou movimentação com tanta antecedência por conta dessa volatilidade.

Laudo hoje contaria com a simpatia do Executivo

Também não é segredo guardado em cofre que Paulo Renato (PSC), vereador de primeiro mandato, tem o desejo de se tornar Presidente e contaria com um apoio e peso, o do ex-Prefeito João Cury. Mas sua candidatura dependeria de um entrosamento da base não tucana, o que não existe hoje.

Se Paulo Renato contaria com o apoio de João Cury (Hoje Secretário Estadual da Educação), Laudo teria a chancela de Mário Pardini como já descrito aqui. Pelo menos é o que se ouve nos bastidores. Então, neste hipotético e provável cenário, teríamos Pardini e Cury em lados opostos nessa disputa, de novo.

É bom dizer que não houve nenhum posicionamento público de ambos (ex-Prefeito e atual Prefeito) sobre o assunto. Oficialmente nem deveria, poderia soar como ingerência. Seja quem for o indicado, provavelmente (Teoricamente segundo o acordo) terá o voto do PSDB (Izaias Colino, Alessandra Lucchese, Jamila Cury Dorini e Zé Fernandes), mas não necessariamente dos ‘eliminados na base’.

A eleição da nova Mesa Diretora ocorre apenas na última sessão do ano, em 17 de dezembro, mas a disputa já está aberta e a chapa promete esquentar. E sempre vale o velho ditado do ex-vereador Progresso Garcia em meados dos anos 70 e parafraseado por Caco Colenci em 2015: “Na política eu só não vi boi voar”.